EFEMadri

O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, recusou nesta quinta-feira uma proposta feita pelo líder da Unidas Podemos, Pablo Iglesias, para formar um governo de coalizão provisório, que duraria apenas um ano, e garantir o apoio parlamentar da coalizão no restante do mandato.

Fontes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por Sánchez, como da Unidas Podemos confirmaram à Agência Efe que os dois conversaram hoje em uma nova tentativa de aproximação, mas não houve acordo. Para o presidente do governo, não há a confiança necessária entre as partes para topar um governo de coalizão provisório.

Pelo lado da Unidas Podemos, as fontes consultadas pela Efe afirmaram que a proposta garantiria a aprovação do orçamento do Executivo para 2020 e daria à coalizão uma oportunidade para que ela funcione. Além disso, a garantia de apoio parlamentar na sequência do mandato de Sánchez daria a ele a estabilidade para governar.

A oferta de Iglesias foi feita depois de o rei da Espanha, Felipe IV, ter convocado os líderes dos principais partidos políticos do país para consultas. Caso não haja consenso entre eles para indicar um candidato capaz de formar governo, o monarca pode convocar novas eleições, que seriam realizadas no próximo dia 10 de novembro.

As conversas com Felipe VI estão marcadas para ocorrer na próxima semana. Em comunicado, a Casa Real afirmou que se as consultas terminarem sem a indicação do candidato, o monarca poderá dissolver o Congresso dos Deputados e o Senado, convocando novas eleições, como estabelece a Constituição.

O calendário estabelece que o impasse deve ser resolvido até o próximo dia 23. Se não houver acordo, o país voltará às urnas pela quarta vez desde 2015.

O PSOE venceu as eleições realizadas em 28 de abril, mas sem deputados suficientes para obter a maioria do Congresso. Sánchez vem, desde então, tentando formar uma coalizão com a Unidas Podemos. O acordo está bloqueado porque os socialistas querem um pacto programático, enquanto os possíveis aliados insistem na montagem de um governo de coalizão.

As divergências já bloquearam uma tentativa de Sánchez de tomar posse na última semana de julho. Antes da votação, o PSOE chegou a oferecer que a coalizão tivesse uma vice-presidência do governo e três ministérios, mas Iglesias considerou a proposta insuficiente.

Após o anúncio feito hoje pelo rei, a vice-presidente do governo da Espanha, Carmen Calvo, também do PSOE, afirmou que há tempo para fechar um acordo, mas reiterou a posição de seu partido de negar uma coalizão com o Unidas Podemos.

Segundo uma pesquisa divulgada hoje pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS), o PSOE sairia outra vez vencedor caso novas eleições fossem convocadas. Sánchez teria 29,7% dos votos, seguido pelo Partido Popular, com 11,6%, e da Unidas Podemos, com 9,9%. O Ciudadanos ocupa a quarta posição, com 8,6%.