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O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse nesta quarta-feira que é possível alcançar objetivos ambiciosos na Cúpula do Clima (COP25), que acontece em Madri, na Espanha, com a regulação dos mercados de carbono e os países mais poluidores se comprometendo a uma redução drástica nas emissões.

"Ainda estamos em tempo de fazer que essa COP25 seja muito relevante", disse o diplomata português, em entrevista exclusiva concedida à Agência Efe.

"A tradição das COP é que as decisões sejam tomadas no fim", completou Guterres sobre a conferência que acontecerá até sexta-feira, na capital espanhola.

O secretário-geral da ONU explicou para que a Cúpula do Clima seja muito relevante, é preciso conseguir a implementação do artigo 6 do Acordo de Paris, que é essencial para os mercados de carbono.

"Também é preciso que os países que fazem emissões mais fortes, garantam que estão dispostos a considerar incrementos importantes nas reduções", disse o português.

Para Guterres, isso é determinante para alcançar o objetivo de que a temperatura média não suba mais do que 1,5 grau no fim do século, em comparação com os níveis pré-industriais, e também para garantir a neutralidade climática em 2050.

Questionado sobre o incremento de financiamento que pedem os países em desenvolvimento, o secretário-geral da ONU lembrou que existe um compromisso muito claro no Acordo de Paris, que destina US$ 100 bilhões a fundos públicos e privados para a adaptação e o combate à mudança climática.

"Acho que seria muito importante dar um sinal com esta COP sobre a importância da adaptação, porque a mudança climática já está provocando consequências terríveis, sobretudo em países frágeis, como as pequenas ilhas ou os Estados africanos, que sofrem com secas terríveis ou tormentas devastadoras", disse Guterres.

"Para responder a esses desastres, mas também para aumentar a resiliência e a resistência dos Estados, é muito importante um financiamento muito forte e que os países respeitem os compromissos", completou.

Sobre a posição de governos como os dos Estados Unidos e o do Brasil, o secretário-geral da ONU não deixou de fazer um alerta.

"As Nações Unidas têm uma posição privilegiada para interpelar os países com emissões mais elevadas e fazê-los compreender que têm uma responsabilidade particular para a preservação do nosso planeta", garantiu o português. EFE

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