EFERoma

O Senado da Itália decidiu nesta terça-feira adiar por tempo indeterminado a votação de uma moção de desconfiança contra o primeiro-ministro do país, Guiseppe Conte, que será ouvido no plenário da casa sobre o caso no próximo dia 20.

A moção de desconfiança contra Conte foi adiada após Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália e líder da Liga Norte, ter proposto a votação de um projeto de lei do Movimento 5 Estrelas (M5S), que prevê a redução do número de parlamentares do país, para depois antecipar a convocação das eleições legislativas na Itália.

Agora o M5S, liderado por Luigi Di Maio, que até então formava governo com o partido de Salvini, o responsável por protocolar a moção de desconfiança contra Conte, deverá avaliar o novo movimento político do líder da Liga Norte.

"Ouvi meu amigo e colega Luigi Di Maio reiterar mais uma vez a necessidade de cortarmos o número de parlamentares para 345 e depois votarmos (a antecipação da eleição) imediatamente. Aproveito para propor essa opção: cortemos os parlamentares na próxima semana e depois votemos nas urnas", disse Salvini.

Di Maio tem argumentado que a decisão de Salvini de apresentar a moção contra Conte, que lidera a coalizão governista formada por Liga Norte e M5S, foi motivada por divisões dentro do partido do ministro do Interior, que não queria diminuir o número de parlamentares na Itália.

O aceno de Salvini a Di Maio foi questionado por representantes do M5S no Senado, que sugeriram que o líder da Liga Norte retire a moção de desconfiança contra o primeiro-ministro e encerre assim a crise aberta em meio ao recesso parlamentar no país.

Salvini, porém, não recuou. Por isso, os senadores decidiram adiar a votação da moção até que o M5S decida se aceitará a proposta feita por Salvini.

O movimento do líder da Liga Norte também visa enterrar uma possível aliança entre o M5S e o Partido Democrata, do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, para formar um novo governo no país sem a necessidade de convocar novas eleições.

Juntos, os dois partidos teriam maioria no parlamento e poderiam impedir a realização de novas eleições, o principal desejo de Salvini, que já articula uma aliança com o Forza Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e o Irmãos da Itália.

A direção do M5S, porém, não vê uma coalizão com o Partido Democrata com bons olhos. Parte da cúpula da legenda avalia que adiar as eleições daria mais tempo para que Salvini conquiste mais simpatizantes no país. EFE

lsc/lvl

(foto) (vídeo)