EFEWashington

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira um projeto de lei que impede o presidente Donald Trump de ordenar qualquer ação militar contra o Irã sem antes solicitar a permissão do Congresso, o que representa uma ameaça à autoridade do mandatário.

A iniciativa, que para se tornar lei precisa da assinatura do próprio Trump, foi aprovada com o voto de todos os senadores da oposição democrata e de oito republicanos.

O apoio dos conservadores é significativo porque mostra publicamente a não aceitação de alguns em relação à política de Trump para o Irã e, especialmente, a decisão de ordenar a morte o general Qasem Soleimani, considerado um herói no país islâmico.

No entanto, este é apenas um gesto simbólico, porque Trump já anunciou que vetará a iniciativa. É necessária uma maioria de dois terços em cada casa do Congresso para anular o veto de um presidente, e desta vez não há um apoio tão amplo.

O senador democrata Tim Kaine, que promoveu a iniciativa, disse no Twitter que o Senado está enviando "uma forte mensagem bipartidária" para reafirmar a autoridade do Legislativo, que é o único órgão do Estado com capacidade para declarar guerra, de acordo com a Constituição.

Além disso, a Constituição afirma que o presidente é o comandante das Forças Armadas; mas a verdade é que o governo vem ganhando mais poder desde os ataques de 11 de setembro de 2001, quando o Congresso aprovou uma lei que deu ao chefe de Estado mais margem de manobra para ir contra a Al-Qaeda.

Já em janeiro, a Câmara dos Representantes, onde os democratas têm maioria, aprovou uma iniciativa semelhante à do Senado.

Esse projecto de lei não vinculativo pretendia mostrar a insatisfação do Congresso com Trump, que não notificou previamente os legisladores sobre o ataque dos EUA a Soleimani em Bagdá.

O Irã respondeu à morte de Soleimani com um ataque contra uma base militar no Iraque que abrigava tropas americanas.

Irã e Estados Unidos, que não mantêm relações diplomáticas desde 1979, já passaram por diversas crises desde que Trump ordenou a saída dos EUA do acordo nuclear assinado em 2015. Desde então, Washington impôs novamente duras sanções à economia iraniana.

A crise foi agravada após o Irã derrubar acidentalmente um avião civil ucraniano que havia decolado de Teerã, o que causou a morte de todos os 176 ocupantes da aeronave.