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O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, chegou nesta quarta-feira a Teerã para uma visita de dois dias na qual se reunirá com os principais dirigentes iranianos com o objetivo de aliviar as atuais tensões entre Irã e Estados Unidos.

Abe, o primeiro-ministro japonês que visita o Irã em 41 anos, desde antes do triunfo da Revolução Islâmica, foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Yavad Zarif.

Do aeroporto, se dirigiu ao Palácio de Saadabad, sede da presidência iraniana, onde acontecerá a reunião entre o primeiro-ministro japonês e o presidente iraniano, Hassan Rohani.

Durante sua estadia em Teerã, Abe também se reunirá amanhã com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que costuma receber alguns poucos dignitários estrangeiros.

Antes de embarcar no seu voo de Tóquio a Teerã, Abe disse hoje aos jornalistas que seu objetivo é "diminuir tensões", aproveitando as "relações amistosas" entre Irã e Japão.

"Há preocupação com a alta tensão no Oriente Médio. Agora que a comunidade internacional está prestando atenção nesta situação, quero dar a maior contribuição possível para a paz e a estabilidade na região", declarou.

Sua visita já foi antecipada extraoficialmente no final de maio, quando o presidente americano, Donald Trump, declarou em Tóquio que Abe poderia exercer seus bons ofícios neste caso.

A hostilidade entre Irã e EUA aumentou no final de abril, quando Washington pôs fim às isenções outorgadas a oito países para a compra de petróleo iraniano, entre eles o Japão, e designou os Guardiões da Revolução iranianos como grupo terrorista.

Pouco depois, os EUA decidiram ainda aumentar sua presença miliar no Oriente Médio, enquanto o Irã anunciou que deixaria de cumprir alguns dos seus compromissos do acordo nuclear de 2015, que Washington deixou no ano passado.

Sobre as sanções, Rohani declarou hoje que os EUA "praticamente" esgotaram sua capacidade de pressão sobre o Irã, e terão que recuar em suas medidas e assumir seu "erro".

A expectativa é que o assunto das exportações petrolíferas do Irã seja um dos pontos da agenda de reuniões, embora fontes japonesas tenham indicado que Abe não viaja como mediador.

Uma fonte governamental japonesa declarou ontem em Teerã a um reduzido grupo de jornalistas que a viagem de Abe é por "iniciativa própria" e não por incumbência de Trump.

O Irã é visto como um ator-chave para a estabilidade em uma região de onde procede a maior parte das importações de petróleo do Japão, que, de fato, também era cliente dos barris iranianos antes do fim das isenções. EFE

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