EFECopenhague

O Partido Social-Democrata e três forças de centro-direita confirmaram nesta sexta-feira que chegaram a um acordo para apoiar um governo na Suécia que poria fim ao bloqueio político surgido após as apertadas eleições legislativas de setembro.

O acordo, que deve ser ratificado pelos órgãos de decisão dos respectivos partidos neste fim de semana, permite que o social-democrata Stefan Löfven possa governar por mais quatro anos em minoria com os ecologistas e deixaria sem influência a extrema-direita, a terceira força do parlamento, mas isolada pelos demais partidos.

Os quatro partidos somam 167 das 349 cadeiras do parlamento, por isso Löfven - que deve ser indicado oficialmente candidato na segunda-feira - necessitará previsivelmente que o Partido de Esquerda, que não integrou a coalizão, mas apoiou seu governo na legislatura anterior, não vote contra ele.

O acordo, no entanto, destaca expressamente que os antigos comunistas ficarão "fora de qualquer influência sobre a direção política da Suécia no próximo mandato".

"Nós social-democratas consideramos que o acordo entre nossos partidos defende a democracia e fará a Suécia avançar através das reformas necessárias", declarou Löfven em comunicado, no qual também lembrou que "processos democráticos" estão em andamento no âmbito das forças envolvidas no acordo.

O pacto estabelece uma colaboração orçamentária entre os quatro partidos, renovável a cada ano, e reformas no mercado de trabalho, no regime de aluguéis residenciais e na política tributária.

A líder do Partido de Centro, Annie Lööf, explicou em entrevista coletiva o seu apoio a Löfven - contra quem tinha votado há um mês no parlamento - pelos avanços conseguidos nos últimos dias em várias áreas e pela situação política especial vivida na Suécia.

O bloco de esquerda de Löfven, cujo partido foi o mais votado, obteve 144 cadeiras, enquanto a chamada Aliança - formada por conservadores, centristas, liberais e democratas-cristãos - conseguiu 143. Já a legenda de extrema-direita Democratas da Suécia (SD), com quem ninguém quer fazer um acordo, ficou em terceiro lugar com 62 deputados.

"Não é a nossa solução preferida, mas é a melhor possível em uma situação difícil", afirmou Lööf, que deve submeter a questão amanhã ao denominado conselho consultivo, o principal órgão de decisão do partido, que soma 31 cadeiras na Aliança.

Lööf lembrou hoje que, para governar sozinha, a Aliança necessitaria do apoio do SD, e que este não seria gratuito.

Já o Partido Liberal, que tem 22 cadeiras na Aliança, realizará um conselho extraordinário no domingo para votar o acordo.

O presidente do parlamento sueco, Andreas Norlén, se reunirá na segunda-feira com os líderes políticos e nomeará depois um candidato para escolher como primeiro-ministro, a terceira votação deste tipo desde setembro.

A legislação da Suécia determina que, antes de poder convocar eleições extraordinárias, algo que não ocorre desde 1958, são necessárias quatro votações fracassadas para a formação do governo.