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As autoridades do Sudão decidiram cortar o sinal de internet móvel em todo o país durante três horas por dia, entre hoje e o dia 24 de setembro, para impedir que os alunos colem durantes as provas de acesso a universidades.

"Recebemos ordens das autoridades superiores do país para interromper o serviço dados móveis para telefones, mas a internet por cabos funcionará normalmente", explicou à Agência Efe uma fonte anônima que trabalha no órgão que regula as comunicações no país africano.

Com esta medida, as autoridades esperam não interferir no funcionamento de bancos, empresas e órgãos estatais.

Sobre a decisão de interromper o serviço de internet móvel no país durante este período, a fonte detalhou que as autoridades "temem que os vestibulandos colem em grande escala", assim como aconteceu há três anos, quando algumas perguntas das provas vazaram e o Ministério da Educação se viu obrigado a aplicar novos exames.

As três empresas de telefonia móvel que operam no Sudão - Zain, Al Sudani e MTN - eviaram mensagens aos clientes nesta quarta-feira confirmando o corte do serviço durante três horas diárias até o dia de 24 de setembro, quando se encerra o período de provas.

"De acordo com as diretrizes das autoridades judiciais, o serviço de internet móvel será cortado durante as provas para entrar na universidade, que começam às 8h e terminam às 11h (horário local), todos os dias", detalha a mensagem de uma das operadoras à qual a Efe teve acesso.

O Ministério da Educação do estado de Kassala comunicou na terça-feira a prisão de um estudante que tinha tentado colar através do WhatsApp durante uma prova, o caso mais recente de muitos semelhantes que ocorreram no país.

Segundo a Autoridade de Comunicações, no Sudão existem 31 milhões de usuários de telefonia móvel e mais de 13 milhões de assinantes de planos de dados.

Pelo menos 522 mil estudantes farão o vestibular para tentar uma vaga universitária, de acordo com números oficiais.

Os vestibulares tiveram início no dia 13 de setembro, em meio ao estado de emergência decretado pelo governo no começo deste mês devido às inundações que atingem o país, e que já deixaram mais de cem mortes até o momento.