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O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela informou nesta terça-feira que solicitou à Espanha a extradição do opositor Leopoldo López, que abandonou o país natal de forma clandestina, em outubro do ano passado, pela fronteira com a Colômbia.

"A Sala de Cassação Penal do Tribunal Supremo de Justiça declarou procedente solicitar ao Reino da Espanha a extradição ativa do cidadão Leopoldo Eduardo López Mendoza, para o fiel cumprimento do resto de sua pena no território venezuelano", anunciou a corte em comunicado.

Segundo o texto, a pena que López deve cumprir é de "oito anos, seis meses, 25 dias e 12 horas" por ter sido "determinante no crime de incêndio, determinante no crime de dano, autor no crime de instigação pública e associação".

O tribunal explicou que enviou ao Ministério das Relações Exteriores venezuelano a sentença com cópias certificadas e detalhes do processo.

No dia 24 de outubro, foi noticiado que o opositor abandonou a Venezuela rumo a Madri, após passar 18 meses na residência do embaixador espanhol em Caracas, onde estava como hóspede enquanto era buscado pela justiça venezuelana e acusado de terrorismo pelo governo chavista.

López entrou na residência do embaixador espanhol depois que, no dia 30 de abril de 2019, saiu da prisão domiciliar para se juntar a uma tentativa de levante militar comandado pelo também opositor Juan Guaidó.

Ao chegar a Madri, López foi recebido pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, na sede do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em reunião que foi transmitida pelo partido em redes sociais com a mensagem "O PSOE quer uma via pacífica" para a crise na Venezuela "porque o povo venezuelano deve sofrer o mínimo".

A recepção de Sánchez para López não foi bem-vista por Maduro, que disse que o governante espanhol "sempre" comete "erros" com a Venezuela.

Antes de se refugiar na embaixada da Espanha e fugir da Venezuela, López cumpria pena em uma prisão militar em Caracas desde setembro de 2015, depois de ter sido acusado de ser responsável por motins no final de um protesto contra o governo em 2014, no qual morreram três pessoas.