EFECristina Yuste, Madri

A ativista sueca Greta Thunberg participou nesta terça-feira, na Cúpula do Clima (COP25), em Madri, de um ato com os principais cientistas, que se juntaram "para fortalecer sua voz", em uma semana decisiva na qual os governos devem estabelecer as bases de seus compromissos climáticos.

Cientistas e jovens - Thunberg e a ativista alemã Luisa Neubauer - fizeram um apelo para a necessidade de ligar as evidências da ciência à informação e educação, com o objetivo de que a mensagem da emergência climática chegue a todos os setores da sociedade.

Os vice-presidentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), Ko Barrett e Youba Sokona, a cientista Rachel Ceetus e o pesquisador Sivan Karta, do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, compartilharam o painel com os ativistas, que agradeceram seu compromisso e presença na COP25.

Greta Thunberg, que disse estar "empolgada por poder ouvir pessoas de todo o mundo", enfatizou a necessidade de escutar especialistas "que não estão suficientemente representados na mídia".

"Não sou cientista e é por isso que convidamos essas pessoas para mostrar o que realmente precisamos saber, pois não temos muito tempo para excluí-las", disse a jovem, em seu segundo ato oficial na Cúpula do Clima.

Thunberg, de 16 anos, chegou a Madri na última sexta-feira para participar da conferência. Ela destacou o papel da educação, pois "os jovens podem fazer muito, mas primeiro precisamos ser informados".

Ciência, informação e educação "são necessárias para pressionar os que estão no poder", enfatizou, porque "os jovens não têm conhecimento científico suficiente e não sabem como ensinar crianças".

CIÊNCIA APELA PARA O PAPEL DOS JOVENS

Os cientistas agradeceram a "paixão" de Greta e o restante do movimento juvenil, que são "um impulso nas negociações que abordam a crise climática e conectam a rua com as negociações que ocorrem nesta COP25".

Para Luisa Neubauer, "é importante que acreditemos que mudanças podem ser feitas, temos que ter certeza de que os governos lutarão pelo melhor acordo possível nesta COP. Precisamos ter esperança e agora vocês têm a oportunidade de provar isso", afirmou.

Os pesquisadores pediram que escutem a ciência, "pois a humanidade está em crise", especialmente as populações mais vulneráveis, as dos países em desenvolvimento e as que vivem nos ecossistemas mais ameaçados.

Nesse sentido, lembraram que os oceanos, zonas úmidas e florestas "são essenciais" na luta contra as mudanças climáticas, uma vez que absorvem uma grande parte das emissões de CO2, e alertam para a necessidade de protegê-las.

Neste 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, os cientistas destacaram as ameaças da crise climática à segurança das pessoas e apelaram para que seja estendido o apoio dos países "que têm dinheiro e tecnologia" ao resto do mundo.

"A mudança climática ameaça os direitos humanos, como demonstram as crescentes migrações climáticas, com as crianças e os idosos sendo os mais expostos", afirmaram.

Os cientistas enfatizaram que "existem muitas soluções, mas precisamos de políticas, governos capazes e mais informações científicas".