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Um tribunal da Rússia manteve nesta quinta-feira a sentença de prisão preventiva até 29 de agosto para o americano Paul Whelan, que foi detido em dezembro do ano passado por espionagem, acusação que o ex-membro da marinha dos Estados Unidos nega.

O Tribunal Municipal de Moscou rejeitou assim nesta quinta-feira o recurso apresentado pelos advogados de Whelan para que o acusado tivesse a pena revertida para prisão domiciliar ou liberdade mediante do pagamento de fiança até o início do julgamento, informou a agência "Interfax".

A corte do distrito de Lefortovski, em Moscou, decidiu em 24 de maio prolongar a prisão preventiva até o final de agosto para o cidadão americano, que também tem cidadania canadense, britânica e irlandesa.

Durante a audiência, Whelan voltou a reiterar sua inocência, ao afirmar que se trata de um "absurdo sequestro político".

"Não sou culpado dos crimes pelos quais sou acusado e meus direitos foram violados", afirmou o americano.

Whelan disse que sua estadia na prisão de Lefortovo melhorou desde que fez uma queixa, visto que o estão "tratando melhor", mas ressaltou que "a prisão não é o problema".

Neste sentido, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, assim como aos chefes de governo de Irlanda, Canadá e Reino Unido, que o apoiem publicamente.

"Peço ajuda aos líderes e às autoridades de Ottawa, Dublin, Londres e Washington para fazer declarações públicas de apoio. Senhor Presidente, não podemos manter a América grande até que protejamos com veemência nossos cidadãos, onde quer que estejam" no mundo, disse Whelan, segundo a "Interfax".

O antigo infante de marinha de 49 anos pediu concretamente a Trump que expresse sua posição sobre sua situação pelo Twitter.

Whelan foi detido em 28 de dezembro por agentes do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB) em um hotel de Moscou por supostas "atividades de espionagem" a favor dos EUA, crime pelo qual pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

O acusado recebeu supostamente de um conhecido um cartão de memória que "continha a lista completa dos funcionários de um serviço secreto russo".

Segundo sua família, Whelan viajou para Moscou para participar de um casamento. Seu advogado, Vladimir Zherebenkov, diz que o americano esperava receber materiais sobre viagens turísticas à Rússia em um dispositivo, como fotografias e vídeos, e que não sabe de onde veio a informação secreta no cartão de memória.

O detido acredita que caiu em uma armadilha e que seu conhecido agiu em nome do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB) quando lhe entregou informação secreta.