EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou neste sábado os democratas de terem acabado com um possível acordo migratório, depois que vazaram os polêmicos comentários que o governante fez na última reunião com legisladores na Casa Branca para tratar o assunto.

"Os democratas são muitas palavras e nada de ação. Não estão fazendo nada para consertar o DACA. Uma grande oportunidade perdida. Muito ruim!", escreveu hoje o presidente em sua conta no Twitter sobre a situação dos jovens sem documentos que chegaram ao país quando crianças.

Um grupo formado por senadores democratas e republicanos tinha alcançado um princípio de acordo legislativo que cumpria os requisitos exigidos pela Casa Branca para aprovar uma lei que outorgue um caminho à cidadania a mais de um milhão de jovens que agora poderiam ser deportados e que foram criados nos EUA, os conhecidos como "sonhadores".

No entanto, outra das disposições da proposta legislativa bipartidária contempla a eliminação da loteria de vistos americanos, com a qual agora são distribuídos 50.000 vitos anuais, para transformar metade deles em vistos para aqueles que se viram afetados pelo fim do Status de Proteção Temporária (TPS).

Quando explicaram esta medida a Trump, segundo publicou o jornal "The Washington Post", o presidente reagiu dizendo: "Por que temos toda esta gente de países (que são um) buraco de merda vindo aqui?", em referência a El Salvador, Haiti e países africanos.

Trump sugeriu então que os Estados Unidos deveriam trazer mais imigrantes de países como a Noruega, com cuja primeira-ministra se reuniu na última quarta-feira.

Os comentários de Trump causaram impacto nos legisladores presentes na reunião, segundo o jornal, que não esclarece se o presidente se referia também à Nicarágua com sua grosseria, e tampouco identifica os países africanos em questão.

O vazamento dessas duras declarações pôs em xeque as negociações migratórias, inclusive quando os democratas tinham aceitado dotar certos fundos para a construção da barreira fronteiriça com o México tão defendida pelo presidente.

Após mais de quatro meses de diálogo entre democratas e republicanos, o tempo se esgota para os mais de 800.000 jovens protegidos pelo programa de Ação Diferida para os Chegados na Infância (DACA), impulsionado pelo ex-presidente Barack Obama e cuja vigência conclui em março por ordens de Trump.

Por isso a urgência de o Congresso encontrar uma solução legislativa antes do final desse prazo, já que poria em perigo a permanência de todos esses jovens, já integrados no sistema educativo, trabalhista e social do país.