EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta sexta-feira que esteja insatisfeito com sua equipe sobre a resposta americana às recentes tensões com o Irã e saiu em defesa do secretário de Estado, Mike Pompeo, e do assessor de Segurança Nacional, John Bolton, responsáveis pela estratégia.

"Eles (a imprensa) publicam mensagens de que estou furioso com meus assessores. Não estou. Tomo minhas próprias decisões. (...) Mike Pompeo está fazendo um grande trabalho, Bolton está fazendo um grande trabalho, mas fazem parecer que há um conflito", disse Trump em discurso na Associação Nacional de Agentes Imobiliários dos EUA.

O jornal "The Washington Post" informou que Trump está frustrado com alguns de seus assessores porque que a estratégia para o Irã colocou os EUA em uma posição agressiva demais. Já o "The New York Times" afirmou que o presidente conversou com o secretário de Defesa, Patrick Shanahan, e disse que não quer uma guerra.

Conhecido pela linha dura em relação ao Irã, Bolton quer provocar uma mudança de regime no país. No entanto, Trump quer conversar com os iranianos para diminuir as tensões e, por isso, se reuniu ontem com o presidente da Suíça, Ueli Maurer, que exerce o papel de mediador entre os dois governos.

Segundo o site "Politico", o debate sobre a estratégia para o Irã também colocou Bolton e Pompeo em rota de colisão. O secretário de Estado defende a postura de Trump e quer negociar com os iranianos, ideia que o assessor de Segurança Nacional vê com ceticismo.

Trump demitiu vários de seus assessores e secretários por discordâncias desde que chegou ao poder. Mas Bolton parece ter ainda o apoio do presidente, que disse gostar dos conselhos do assessor.

"John tem opiniões muito fortes sobre algumas coisas, mas eu o modero. É algo incrível, que ninguém teria pensado. Sou eu quem o modera. Tenho John Bolton e tenho pessoas mais suaves que ele. No fim, sou eu quem toma a decisão", disse Trump em recente entrevista.

Hoje, o presidente voltou a acusar os jornais americanos de publicarem notícias falsas, usando fontes que "não existem" e questionando o fato de essas pessoas só falarem com a imprensa se não forem identificadas. A prática é comum na Casa Branca, já que os funcionários temem sofrer retaliações se vierem a público.

No entanto, Trump ressaltou que os rumores sobre uma possível divisão do governo podem ajudá-lo. "Pelo menos o Irã não sabe o que pensar, a confusão pode ser boa", afirmou o presidente.