EFEMaría Roldán, Tóquio

Pelo menos 24 pessoas morreram, 170 ficaram feridas e outras 17 estão desaparecidas devido à passagem do supertufão Hagibis neste fim de semana pelo Japão, que também sofre com inundações e inúmeros danos materiais causados pelo fenômeno climático.

Neste domingo, a rede de televisão pública "NHK" exibiu imagens dos dramáticos resgates com o uso de helicóptero e barcos em áreas residenciais inundadas após rios transbordarem.

A cidade de Nagano, no centro do país, foi uma das mais afetadas pelo transbordamento do rio Chikuma. Situação semelhante ocorreu em Son, na província de Tochigi, devido ao transbordamento do rio Akiyama. Nas duas cidades, equipes de resgate retiraram moradores que haviam ficado ilhados nos andares superiores de casas e edifícios.

O governo japonês mobilizou 27 mil membros das Forças de Autodefesa para participar dos trabalhos de salvamento, segundo a agência de notícias "Kyodo".

A rede de estradas do país também foi afetada, e algumas tiveram que ser interditadas, o que isolou algumas regiões.

Na cidade de Kawagoe, o transbordamento do rio Oppe deixou ilhadas 260 pessoas de um lar para idosos que fugiram para um edifício mais alto e tiveram que ser resgatadas em botes.

Na capital, Tóquio, o rio Tama também ultrapassou seu limite, e os térreos de alguns edifícios, incluindo um hospital, inundaram. Os bombeiros tentam comprovar se todos os moradores de áreas atingidas se refugiaram e encontraram pelo menos um homem morto, segundo a "NHK". Muitos sem-teto moram nas cercanias do Tama, e os trabalhos de busca e resgate continuam à medida em que o nível da água diminui.

Também na capital, seis dos 12 tripulantes de um cargueiro com bandeira panamenha desapareceram e dois faleceram após as péssimas condições climáticas e fortes ondas afundarem o navio, que estava ancorado na baía de Tóquio, de acordo com a "Kyodo".

Os temporais provocados por Hagibis levaram a agência meteorológica do país (JMA) a declarar ontem um incomum alerta máximo, com o qual pediu para que a população se refugiasse em lugares altos. As ordens e recomendações de evacuação chegaram a afetar mais de 10 milhões de pessoas.

Nas regiões de Tohoku (no nordeste do país) e Kanto, onde fica Tóquio, a quantidade de chuva registrada desde o sábado equivale a de 30 a 40% da quantidade habitual em um ano, segundo a JMA.

As companhias proprietárias de algumas represas autorizaram a libertação de água como medida de emergência para evitar que as comportas rompessem, o que em alguns casos aumentou ainda mais o volume de rios que já haviam transbordado devido às intensas chuvas.

As autoridades pediram que a população se mantenha alerta apesar de o tufão já ter passado pelo país, por causa do risco de desabamentos de construções e deslizamentos de terra.

Na cidade de Ichihara, em Chiba (a leste de Tóquio), um tornado formado pela influência do tufão horas antes de ele tocar terra destruiu 12 casas e danificou mais de 70, além de ter provocado ontem o tombamento de um veículo de um homem de 50 anos, que acabou morrendo.

A região, que ainda estava se recuperando da passagem do tufão Faxai, em setembro, também foi surpreendida no sábado por um terremoto de magnitude 5,7 na escala Richter com epicentro no mar.

Às 18h deste domingo (horário local; 6h de Brasília), cerca de 100 mil residências na região metropolitana de Tóquio continuavam sem energia elétrica, segundo informou a companhia Tokyo Electric Power Company (Tepco).

A passagem de Hagibis, o 19º da atual temporada de tufões no oceano Pacífico e um dos mais fortes que atingiram o Japão em décadas, paralisou ontem os transportes da região da capital. Embora os serviços estejam sendo restabelecidos gradualmente, mais de 800 voos programados para hoje foram cancelados.

O tufão perdeu força após atravessar o território japonês e, ao meio-dia, foi rebaixado para a categoria de ciclone extratropical.