EFESydney (Austrália)

O australiano Brenton Tarrant, único acusado pelo ataque supremacista contra duas mesquitas cometido em março deste ano, na Nova Zelândia, deixando 51 mortos, se declarou nesta sexta-feira inocente de todas as acusações contra ele.

Tarrant, de 28 anos, que compareceu por videoconferência diante do Tribunal Superior de Christchurch, é acusado de terrorismo, 51 homicídios e 40 tentativas de homicídios pelo massacre cometido nas mesquitas de Al Noor e Linwood, na cidade de Christchurch.

Vestido com um moletom cinza, ele pareceu sorrir quando um de seus dois advogados fez a declaração no tribunal, onde os presentes, entre eles os sobreviventes e familiares das vítimas aplacaram sua reação, segundo a "Radio New Zealand".

Durante a audiência, o juiz Cameron Mander disse que os relatórios sobre a avaliação de saúde mental do réu indicam que não há problemas a esse respeito.

"Nenhum problemas foi apontado em relação a idoneidade do acusado para declarar-se (culpado ou inocente), para dar instruções ao seu advogado e para ser julgado. Portanto uma audiência de aptidão física não é necessária", afirmou.

O magistrado determinou o início do julgamento para o próximo dia 4 de maio de 2020 e enquanto a acusação acredita que pode durar seis semanas, a defesa de Tarrant, cuja fotografia foi publicada pela primeira vez sem ser pixelizada, estimou que pode se estender por vários meses.

Tarrant, que está isolado em um pavilhão de segurança máxima de uma prisão de Auckland, também comparecerá perante a Corte para uma revisão do caso no próximo dia 16 de agosto.

O réu, que transmitiu o ataque ao vivo pela internet, supostamente atirou contra os muçulmanos que estavam nas mesquitas para as orações de sexta-feira.

Tarrant, que também publicou sua ideologia supremacista nas redes sociais, surpreendeu as autoridades pois não possuía antecedentes e obteve licença para uso de armas em novembro de 2017, depois de cumprir as exigências legais.

Desde o ataque em Christchurch, o governo da Nova Zelândia adotou medidas como a reforma da posse de armas semiautomáticas e promoveu regulamentações mundiais para redes sociais para evitar a propagação de mensagens de ódio, além de criar uma Comissão Real para investigar os fatos.