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O Uruguai registrou 217 mortes por Covid-19 nos primeiros seis dias de abril, número superior aos primeiros nove meses da pandemia no país sul-americano em 2020, fato que acendeu a luz de alerta das autoridades.Após um crescimento constante do número de mortes, pela primeira vez em 1º de abril, o Uruguai registrou mais de 30 em apenas um dia, com 35 pessoas que perderam a vida por causas associadas ao coronavírus SARS-CoV-2.

Nos dias 2 (32), 3 (30) e 4 (30) essa linha de óbitos foi mantida e nos últimos dois dias, segunda e ontem, todos os recordes foram quebrados novamente com 45 vítimas a cada dia.

As 217 perdas registradas nos seis primeiros dias de abril superam as 181 com as quais o Uruguai fechou o ano passado, já que em 13 de março de 2020 foi declarada a emergência sanitária devido à detecção dos quatro primeiros positivos no país.

Esses números, somados aos 25.309 casos ativos e as 432 pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (48% do total de leitos de UTI, bem acima do limite estabelecido pelos serviços de saúde como aceitável), geraram movimentações por parte das autoridades nas últimas horas.

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, aparecerá dará hoje uma entrevista coletiva na Torre Executiva, segundo confirmaram fontes da presidência à Agência Efe, após especularem por várias horas sobre a possibilidade de haver uma mensagem à nação.

O mandatário se reuniu ontem com o ministro da Saúde Pública, Daniel Salinas; o secretário da Presidência, Álvaro Delgado; e o presidente da Administração Estadual de Serviços de Saúde (ASSE), Leonardo Cipriani, para fazer uma análise da situação atual.

Lacalle Pou sua última coletiva há duas semanas para anunciar o fechamento de repartições públicas, com excepção dos serviços essenciais, a suspensão dos espectáculos públicos, fechamento de ginásios e free-shops na fronteira, bem como a suspensão de eventos sociais, em todos os casos, até o dia 12 deste mês.

Além disso, o presidente informou a suspensão das atividades escolares em todos os níveis até a mesma data, o que deve ser prorrogado hoje.

O Grupo Assessor Científico Honorário (GACH), que assessora o governo na gestão da pandemia, vem apontando há semanas a necessidade de reduzir a mobilidade.

De fato, no seu relatório de 7 de fevereiro, os peritos propõem a redução da capacidade nos transportes públicos, as reuniões apenas que vivem no mesmo ambiente, o trabalho remoto ou a restrição da mobilidade entre a meia-noite e 6h (hora local), como medidas a serem tomadas na atual situação de contágio.

Da mesma forma, o GACH analisou na última segunda as variantes P-1 e P-2 do coronavírus SARS-CoV-2 que chegaram recentemente ao país e pediu ao governo a maior clareza possível para informar sobre elas.