EFECaracas

A principal passagem de fronteira da Venezuela para a Colômbia - a ponte internacional Simón Bolívar - está agora reaberta para o tráfego de pedestres, afirmou nesta quarta-feira Freddy Bernal, o "protetor" do estado venezuelano de Táchira.

"O fluxo de pessoas está ocorrendo sem qualquer perturbação, sem qualquer obstáculo, através da ponte internacional Simón Bolívar, porque uma de nossas dores de cabeça era acabar com a passagem pelas 'trochas' (trilhas que burlavam o fechamento da fronteira)", disse Bernal à rede estatal "Venezolana de Televisión" (VTV).

Ele explicou, direto da passagem fronteiriça, que estava verificando se as travessias de pedestres estavam de fato acontecendo.

"Do lado colombiano há algumas restrições. Nem todas as pessoas podem entrar todos os dias", disse.

O cargo de "protetor" estadual ocupado por Bernal não é definido em eleições, mas designado diretamente pelo presidente do país, Nicolás Maduro, para estados onde a oposição venceu o pleito regional, com o objetivo de exercer um controle de fato sobre eles.

Em 4 de outubro, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a reabertura da fronteira com a Colômbia pelo estado de Táchira, fechada desde agosto de 2015 para veículos por ordem do governo venezuelano.

Já o fluxo de pedestres foi proibido após o rompimento das relações bilaterais decidido por Maduro em 23 de fevereiro de 2019, quando o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó tentou trazer uma caravana de ajuda humanitária a partir de Cúcuta, do outro lado da fronteira, na Colômbia.

Porém, apenas um dia depois o anúncio da vice-presidente, a governadora de Táchira e opositora de Maduro, Laidy Gómez, denunciou que a fronteira continuava fechada e que só havia passagem para casos humanitários "determinados a critério dos funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) em serviço na ponte".

A mesma reclamação foi feita pela ex-deputada opositora Gaby Arellano dois dias depois.

"(A passagem está aberta) Somente através das "trochas', (onde) cobram para o "chefão" Freddy Bernal de US$ 5 a US$ 25 por pessoa para permitir a passagem entre os dois países", denunciou Arellano na ocasião. EFE