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São mais de 800 os vilarejos que lutam para entrar no "Club de I Borghi più belli d'Italia" (ou Clube dos Vilarejos Mais Bonitos da Itália), mas até agora apenas 293 conseguiram pertencer a este seleto grupo que dá visibilidade à Itália "escondida".

Em um dos países mais visitados do mundo, grandes cidades como Roma e Milão ganham toda atenção e os pequenos municípios, apesar do rico patrimônio histórico e artístico, ficam afastados dos fluxos de turistas.

Com o objetivo de aumentar as visitas, em 2002 foi criada essa lista, que, através do pagamento de uma taxa anual, reúne pequenos povoados, que com atrativos turísticos também querem se beneficiar do sucesso do país.

Nem todos conseguem. O presidente da organização, Fiorello Primi, reconheceu que existe "um problema", porque todos os vilarejos desejam ter este selo e os responsáveis não querem que a situação saia do controle.

"O problema é que temos muitos pedidos. Atualmente, há mais de 70 para atender", admitiu Primi, um pouco inquieto, em entrevista coletiva em Roma.

Não surpreende que os núcleos históricos queiram pertencer a este clube, pois ser parte dele dá direito a aparecer no guia publicado todos os anos, a usar a marca oficial "Club de I Borghi più belli d'Italia" e a ser membro da federação "Os vilarejos mais bonitos do mundo", grupo formado por Itália, Espanha, França e Bélgica.

Além disso, os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que estes vilarejos são promissores e apontam para um crescimento: em 2017 foram visitados por 3,7 milhões de pessoas, 7,5% a mais do que no ano anterior, que ficaram em média 3,9 noites nos hotéis locais, enquanto a média italiana é de 3,4 noites.

"Vendo o sucesso da associação e o que significa pertencer a ela, com o retorno turístico, claramente há um aumento de solicitações", afirmou Primi, lembrando que para controlar a situação, foi estabelecido que o clube só pode crescer 5% a cada ano.

Os encarregados de avaliar a admissão visitaram 814 municípios, o que representa, mais ou menos, 10% dos vilarejos italianos, e apenas 293, por enquanto, tiveram a sorte de ser escolhidos.

De acordo com o diretor-executivo da Agência Nacional do Turismo, Giovanni Bastianelli, os vilarejos mais bonitos da Itália se beneficiam da "segunda onda de turistas". Ou seja, dos que já visitaram as principais cidades do país e que voltam para descobrir outros lugares.

"Os novos fluxos de visitantes vão primeiro às grandes cidades, mas os que voltam vão aos vilarejos, para buscar algo que possa surpreendê-los", explicou Bastianelli.

E o que pode surpreender é a "italianidade" que está, principalmente, nas pequenas cidades.

"Ao turista não interessa apenas a beleza arquitetônica, mas também as pessoas que vivem nestes vilarejos todos os dias do ano, com costumes muito distintos aos de suas cidades de origem. Gostam da diversidade da paisagem e da língua", detalhou Bastianelli.

Mas o que merece aplausos é a culinária.

"O que surpreende os visitantes é que um prato típico, a 10 quilômetros, talvez seja feito de forma diferente, e por trás desse prato haja uma história e uma tradição", explicou.

E além da comida, se transformou em tradição a "Noite Romântica", um festival no qual, pelo quarto ano consecutivo, alguns desses vilarejos celebrarão o amor em 22 de junho entre velas, música e pratos biodegradáveis.

Esta iniciativa, que no ano passado teve cerca de 1 milhão de visitantes, se estendeu nesta edição a Espanha, França e Bélgica, embora sua origem esteja na Itália.

"A ideia de beleza e romantismo não poderia sair de outro país a não ser a Itália", concluiu Primi.

Carla Riverola Brutau.