EFETegucigalpa

Muito perto de ser confirmada como vencedora das eleições de Honduras, Xiomara Castro será a presidente mais votada da história do país, depois de já ter passado da marca de 1,4 milhão com 80,66% dos votos apurados até agora.

De acordo com a última atualização do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a líder do partido Liberdade e Refundação (Libre) teve 1.409.689 votos (50,63%), contra 999.214 (35,89%) de Nasry Asfura, do governista Partido Nacional.

Até as 13h (local, 16h de Brasília), o CNE havia processado 2,89 milhões de cédulas dos 5,18 milhões de eleitores elegíveis para a 11ªeleição geral realizada em Honduras desde o retorno à ordem constitucional, em 1980.

Xiomara chegou às eleições à frente de uma aliança de fato entre o Libre e a União Nacional de Oposição de Honduras (Unoh), formada por dois partidos minoritários, apenas para a disputa presidencial. Dos outros chefes de governo eleitos desde 1981, nenhum chegou sequer a 1,2 milhão de votos.

Com relação aos resultados dos deputados, com 62,20% dos votos processados pelo CNE, três partidos - Libre, Nacional e Salvador de Honduras - são os que conquistaram a maior parte dos 128 assentos no Parlamento.

A contagem dos votos disputados está ocorrendo em meio a múltiplas acusações e reclamações de fraude que os candidatos dos partidos Libre, Nacional e Salvador de Honduras têm feito durante a semana, alegando que querem deslocá-los para que outros possam alcançar o poder legislativo.

Uma das acusações é contra o Ministro da Presidência, Ebal Díaz, por candidatos de seu próprio partido, o Nacional, que alega ser responsável por adulterar os registros eleitorais para poder estar entre os dez deputados que a legenda estaria obtendo. Ele negou as acusações e exigiu que provas fossem apresentadas.

O Ministério Público vem resguardando as instalações do conselho, onde todo o material eleitoral está sendo processado, em caso de possíveis incidentes violentos que possam ocorrer como resultado das reclamações, embora até o momento tudo tenha sido feito com aparente normalidade.

Nesta sexta-feira, o conselho prorrogou até a próxima segunda o prazo para impugnar as irregularidades nos resultados de todos os cargos eleitos popularmente. Queixas de fraude por alguns candidatos a deputados estão sendo investigadas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Justiça Eleitoral.

Os três conselheiros do CNE reiteraram que todos os recursos serão analisados e que se for provado que aqueles que alteraram os registros eleitorais e cometeram outras irregularidades serão levados a julgamento. "Um processo que custou 1,9 bilhão de lempiras (R$ 450 milhões) não pode ser manchado", destacaram.

A partir do dia da eleição, o CNE tem 30 dias para declarar Xiomara Castro presidente eleita. Se não houver reviravoltas, ela tomará posse em 27 de janeiro de 2022, em substituição a Juan Orlando Hernández, que está na fase final de seu segundo mandato. EFE

gr/dr