EFEKiev

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu nesta sexta-feira à Otan que "diga abertamente" se a ex-república soviética se juntará ao bloco militar, apesar da pressão contrária da Rússia.

"Queremos algo concreto, temos que contar com algo", disse o presidente ucraniano durante uma entrevista coletiva com a mídia estrangeira em Kiev.

"Que nos digam abertamente que nunca estaremos lá. Alguns podem dizer isso e outros não. Eles (representantes da Aliança Atlântica) vêm aqui e dizem que apoiam a adesão da Ucrânia à Otan. Mas não precisamos falar sobre o futuro, temos muitos desafios no presente", ressaltou.

Zelenski afirmou ainda que o país confia plenamente em seu exército, que está no nível das Forças Armadas dos países da Otan.

"É um exército sério e, se falarmos do nível da Otan, claro, não somos mais fracos do que isso", declarou, acrescentando que os ucranianos "infelizmente" têm experiência de combate, em alusão ao conflito armado que eclodiu no leste do país em 2014.

Nesse sentido, acrescentou que os militares ucranianos precisaram "lutar, enterrar seus amigos, defender seu país, atirar e matar".

O conflito com os separatistas pró-Rússia em Donbass, segundo Zelensky, até agora deixou quase 15.000 mortos em ambos os lados.

Sobre a possibilidade de uma nova guerra como resultado do reforço militar russo na fronteira com a Ucrânia, o presidente ucraniano assegurou que, no caso de um conflito de grande envergadura com a Rússia, isso também afetará outros países.

Segundo o presidente ucraniano, há quem não queira ver a Ucrânia dentro da Otan para evitar se envolver em sua defesa "se algo acontecer".

"Se algo acontecer, eles terão que nos defender. E isso seria um grande desafio para a Aliança (...) Mas, se houver uma guerra em grande escala, haverá uma nas fronteiras de alguns países da Otan. Sobre isso não há dúvida", garantiu.

Para dissuadir Moscou de uma possível agressão contra a Ucrânia, Zelensky pediu ao Ocidente "sanções preventivas".

"Para que são necessárias as sanções 'depois' (de uma invasão)? Muitos países falam sobre coisas que podem ser feitas preventivamente", destacou.

Na conversa com os jornalistas estrangeiros, o presidente ucraniano revelou ainda que Kiev está negociando uma aliança não só com a Otan, mas também com outros países.

"Se outros países estiverem dispostos a nos oferecer segurança, defesa ou outra aliança para fornecer assistência sólida em tempos difíceis, a Ucrânia está pronta para tais acordos. Já estamos trabalhando nisso", frisou. EFE