EFEJerusalém

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, expressou nesta quinta-feira a confiança que seu país obterá "hoje ou amanhã" o status de candidato à adesão à União Europeia (UE) e vislumbrou uma Ucrânia "com um novo futuro como parte da família europeia" para as próximas gerações.

"Esta é nossa escolha, nossa visão de futuro para o bem de nossos filhos. Queremos construir um país que faça parte da UE", disse o presidente, em um discurso por videoconferência com estudantes da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Zelensky se mostrou otimista de que a Ucrânia obteria "hoje ou amanhã" o status de candidato a membro da UE e enfatizou que os ucranianos "se sacrificaram muito por isso".

O presidente insistiu que a adesão à UE é a melhor garantia de segurança para o seu país, condenado a viver "com um vizinho que provavelmente vai querer nos atacar novamente daqui a 20 ou 25 anos", disse, se referindo à Rússia, que invadiu a Ucrânia há quase quatro meses desencadeando uma guerra concentrada neste momento no leste do país.

"Temos muito para investir em segurança e no reforço das instituições. Segurança em todos os espaços públicos, começando pelas nossas fronteiras. Bombas, artilharia ou ataques com mísseis podem nos atingir a qualquer momento com um vizinho como este", disse o presidente.

De origem judaica, Volodymyr Zelensky, aproveitou seu discurso diante de estudantes israelenses para exigir maior apoio militar de Israel à Ucrânia durante a guerra, já que no momento eles apenas forneceram assistência médica apesar da insistência das autoridades ucranianas de que precisam de armas.

Israel tem relutado em fornecer ajuda militar ou mesmo vender seu sofisticado sistema de defesa antimísseis Iron Dome para a Ucrânia, de modo a não comprometer sua aliança geoestratégica que tem na Síria com a Rússia, o que lhe permite atacar regularmente posições pró-iranianas perto de sua fronteira norte.

"Entendemos que é uma situação complicada", disse Zelensky, lembrando que países pequenos como Luxemburgo deram à Ucrânia armas que valem mais da metade de seu orçamento de defesa e também lamentou a posição morna de Israel em relação ao acolhimento de refugiados e com as sanções contra a Rússia.

Israel anunciou facilidades para o acolhimento de refugiados ucranianos, mas na realidade limitou-se apenas a pessoas com raízes judaicas, com números de asilo muito modestos em comparação a outros países como Polônia, Dinamarca, República Tcheca e Irlanda, entre outros mencionados por Zelensky, que "abriram totalmente suas portas para os ucranianos".

"Quando um governo introduz sanções, não se trata de dinheiro ou negócios, trata-se de valores e segurança geral. Tem a ver com reivindicar responsabilidades", disse o presidente sobre a ausência de sanções de Israel, país que defende que essas medidas não estão contempladas em sua legislação.

"Lembre-se de como estamos ligados, quão próximos são nossos laços e qual deve ser o nível de entendimento entre nós. Acreditamos que a sociedade israelense entende nossas necessidades, mas não temos uma boa comunicação com alguns representantes de seu governo", repreendeu Zelensky. EFE