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A jornalista Gabriela Cañas, candidata apresentada pelo governo da Espanha para presidir a Agência Efe, defendeu nesta segunda-feira a continuidade das medidas de modernização já implantadas e garantiu que uma das prioridades será reforçar a dimensão internacional da empresa.

"A agência é, em si mesma, uma história de sucesso, e seria arrogante e imprudente da minha parte promover mudanças profundas que coloquem em risco sua brilhante trajetória", disse a postulante ao cargo, em audiência na Comissão de Nomeações do Congresso espanhol.

A jornalista, que poderá ser a primeira mulher a presidir a Efe, se comprometeu com dois princípios de atuação, o primeiro, que é seguir o estatuto da agência, que fala explicitamente no artigo 66, que a "Administração garantirá o escrupuloso respeito à veracidade de cada informação, rejeitará qualquer tentativa de influenciar a cobertura ou a orientação informativa e dará o direito de correção quando for demonstrado que uma notícia não responde à verdade".

O segundo, que é cumprir a lei 3/2015, que regula o exercício das funções de alto escalão da Administração Geral do Estado, cujo artigo 3 obriga que se trabalhe pelo interesse coletivo, com integridade, objetividade e transparência.

A audiência de Cañas com a Comissão de Nomeações do Congresso estava marcada inicialmente para o dia 12 de março, mas precisou ser adiada por causa da pandemia da Covid-19, o que deixou a Efe com comando interino desde fevereiro, após a saída de Fernando Garea.

Com os parlamentares, a jornalista repassou o currículo de 40 anos de profissão, apresentou a documentação que demonstra não haver qualquer conflito para assumir a presidência da agência. A Comissão analisará as informações e dará ou não ao governo o aval para a efetivação na função.

Na audiência, Cañas insistiu na necessidade de continuidade na Efe e afirmou que pretende seguir o processo de modernização da agência.

"A informação oferecida é de alta qualidade, mas precisa se adaptar aos novos formatos que o mercado demanda. A tecnologia deve estar ao serviço de uma boa matéria prima", disse.

Nesse sentido, destacou a importância de seguir com a consolidação e ampliação dos conteúdos multimídia, de projetos com o jornalismo móvel e o EFEverifica.

A candidata à presidência destacou se tratar da maior agência de notícias em espanhol e a quarta em escala mundial, que concorre com "colossos" como a Associated Press (AP), Reuters e France-Presse (AFP), mesmo tendo número inferior de profissionais.

"A dimensão internacional da agência será para mim um dos focos principais", disse Cañas.

Além disso, a jornalista apontou que não descuidará da atuação nacional, ou seja, dentro da Espanha e também para a imagem do país, com colaboração com instituições como o Instituto Cervantes e as Câmaras de Comércio.

"Manter e, na medida do possível, elevar a quantidade da informação que a agência produz, será minha bandeira. Para conseguir isso, é preciso que os profissionais se sintam respaldados pelo bom exercício se seus trabalhos", garantiu.

Cañas exaltou a Efe por ser o palanque mais poderoso para a defesa da língua espanhola e dos valores democráticos.

"No DNA desta grande agência, como aponta o estatuto de redação, está o exercício e a defesa da liberdade de expressão, além do direito dos cidadãos de receber informação verdadeira, de forma que tenham em mão todos os dados necessários para formar a própria opinião", disse.

Cañas ainda falou da intenção de reforçar as coberturas relacionadas aos objetivos aprovados pela ONU para o clima do planeta até 2030, que o governo da Espanha assumiu, inclusive, e destacou a possibilidade de ser a primeira mulher na presidência da Efe.

"É uma imensa honra, mas o importante não é ser a primeira, é não ser a última", afirmou.

Além disso, Cañas se referiu as dificuldades da Efe, principalmente financeiras nos últimos anos.

"O mais urgente é a busca por uma maior diversidade de receitas e pela redução dos prejuízos da empresa", avaliou.

A candidata à presidente pediu tempo para poder apresentar dados sobre a situação econômica e os detalhes do plano estratégico para a agencia, mas já adiantou ter compromisso com uma gestão austera e um controle firme dos gastos.