EFEAdis Abeba

A fome aumentou na África subsaariana até afetar 237 milhões de pessoas em 2017, o que representa 20% da sua população, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira por várias agências das Nações Unidas.

A Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) ressaltou em uma nota que esse aumento lastra os esforços mundiais para erradicar a fome, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pactuados pela comunidade internacional até 2030.

O número de subsaarianos que sofrem desnutrição subiu em 32,6 milhões em comparação com 2015, enquanto o aumento foi de 1,9 milhão na África do Norte, até alcançar os 20 milhões em 2017.

Quase metade da alta no número de pessoas se localiza na África ocidental e um terço, no leste do continente.

Em 2017 se estima que havia 53,8 milhões de crianças menores de cinco anos com atrasos no crescimento pela desnutrição crônica na África subsaariana, o que representa uma taxa de 32,6%, em descenso, mas não o suficiente para cumprir as metas mundiais.

Entre as causas da piora da situação alimentícia se encontram as "difíceis condições econômicas mundiais", segundo a FAO, depois que o crescimento econômico se desacelerou em 2016 pela fraqueza dos preços de produtos básicos como o petróleo e os minerais.

A agência também se referiu ao impacto dos conflitos em diversos países africanos, frequentemente agravados por secas ou inundações.

O relatório destaca que em certas áreas, especialmente no sul e no leste do continente, a produção agrícola se contraiu como consequência do fenômeno El Niño, encarecendo os alimentos básicos, até que em 2017 a situação melhorou em parte, embora alguns países sigam afetados pela falta de chuvas.