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O Governo espanhol informou nesta quinta-feira que não permitirá que os restos mortais do ditador Francisco Franco, falecido em 1975, sejam sepultados na catedral da Almudena de Madri, como pretendem seus familiares, quando forem retirados do monumento do Vale dos Caídos, nos arredores da capital.

A iniciativa tem como objetivo impedir que "um ditador continue ocupando um espaço público que se preste ao enaltecimento", como a cripta desse templo, portanto serão usados "os recursos e os procedimentos julgados oportunos para que isso seja evitado", advertiu hoje a ministra porta-voz, Isabel Celaá, em entrevista coletiva.

O Parlamento da Espanha aprovou no último dia 13 de setembro um decreto-lei do governo que permite exumar os restos mortais de Franco do Vale dos Caídos, um complexo monumental construído a 50 quilômetros de Madri por ordem do ditador, onde também estão enterrados milhares de combatentes da Guerra Civil (1936-1939).

Enquanto isso, o governo continua com o procedimento aberto para a exumação e posterior mudança dos restos mortais, e para tanto está preparando os relatórios obrigatórios.

"Esta fase deverá ser completada em um mês", disse Isabel, que ressaltou que o objetivo é que o processo de exumação seja "muito seguro".

"Não subordinamos de maneira nenhuma a exumação ao sepultamento, mas compreenderão que faremos o possível para que seja um movimento coerente com o outro", insistiu a ministra porta-voz, que quis deixar claro que "o ano de 2019 começará sem a Espanha contar com um ditador que possa ser enaltecido em um local público".

O governante Partido Socialista (PSOE) vai apresentar várias emendas de reforma da Lei de Memória Histórica, que tramita no Congresso dos Deputados, para deixar "claro" que Franco não poderá ser sepultado na catedral de Almudena e para proibir o enaltecimento do regime franquista em espaços públicos, segundo fontes socialistas.

Os netos de Franco, seus familiares vivos mais próximos, se opõem à exumação, a consideram uma "imposição" do Estado e questionam sua constitucionalidade.

Também anunciaram que têm a intenção de enterrá-lo na cripta da catedral, no centro de Madri, onde a família possui um direito de sepultamento.