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A Igreja Ortodoxa Russa decidiu nesta segunda-feira, durante o Sínodo que realiza em Minsk, em Belarus, romper todos os vínculos com o Patriarcado de Constantinopla, anunciou o arcebispo metropolitano Hilarion.

"O Santo Sínodo decidiu romper toda comunhão eucarística com o Patriarcado de Constantinopla", disse Hilarion, segundo a agência de notícias russa "Interfax".

O arcebispo metropolitano disse que esta foi uma "decisão obrigatória" e que o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa não podia escolhar outra, devido à "lógica das últimas ações do Patriarcado de Constantinopla".

No último dia 11, o Sínodo da Igreja de Constantinopla anulou o decreto que subordinava a Igreja Ucraniana à Russa desde 1686 com a intenção de "garantir a Autocefalia à Igreja da Ucrânia". A Autocefalia é o estado com o qual o bispo-chefe de uma igreja não se reporta a outro superior que tenha autoridade sobre outras igrejas.

Também foi suspenso o anátema que existia desde 1991 sobre sacerdote Filaret, o líder da Igreja Ortodoxa Ucraniana, que foi excomungado por Moscou por autoproclamar uma igreja independente do Patriarcado Russo após a dissolução da União Soviética. Assim que soube da decisão, Filaret afirmou que convocará um concílio para consumar a unificação de todos os ortodoxos ucranianos, estimados em mais de 30 milhões, sob uma só igreja com capital em Kiev.

Hoje, Hilarion ressaltou que estas decisões do Patriarcado de Constantinopla são "ilegais e canonicamente irrelevantes".

"A Igreja Ortodoxa Russa não aceita estas decisões e não as acatará. O cisma continua sendo o cisma e os líderes cismáticos continuam sendo líderes cismáticos. A Igreja que reconhece e dialoga com os cismáticos se exclui do âmbito canônico", disse o religioso.

Hilarion afirmou que o Patriarcado de Moscou acredita que o Patriarcado de Constantinopla revogará suas decisões sobre a Ucrânia.

"Esperamos que a razão se imponha e que o patriarca de Constantinopla modifique a sua atitude para a realidade eclesiástica existente", acrescentou.

Além disso, Hilarion destacou que a Igreja Ortodoxa Russa não retomará laços com Constantinopla enquanto estas "decisões ilegais" vigorarem.

Os ortodoxos russos consideram que o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, é o líder dos ortodoxos, mas "não como o papa em Roma", já que a Igreja Ortodoxa não é como a católica, na qual o pontífice "decide tudo sozinho".

Atualmente, na Ucrânia existem três igrejas ortodoxas: a que era ligada a Moscou, majoritária; outra ligada ao Patriarcado de Kiev; e uma terceira, que se tornou independente da Rússia em 1920 e que se autoproclamou Igreja Ortodoxa Autocefálica Ucraniana.