EFELaura Serrano-Conde, Roma

A Itália declarou guerra ao plástico e passou a criar iniciativas para desestimular o uso do material, a mais recente lançada na capital, Roma, onde passagens de metrô estão sendo trocadas por garrafas destinadas à reciclagem.

A iniciativa começou em julho, e a Câmara Municipal já contabilizou 350 mil garrafas recicladas, uma média de 20 mil por dia. A medida, que busca conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidar do meio ambiente, por enquanto só está disponível em três estações de metrô, uma para cada linha.

Os usuários que reciclarem 30 garrafas recebem em troca um bilhete de 100 minutos de duração. As garrafas devem ser inseridas em máquinas que leem os códigos de barras, depois são registradas em um aplicativo que emite a passagem.

Após a boa recepção do projeto, a empresa que administra o transporte público em Roma planeja ampliar a iniciativa para todas as estações de metrô em 2020.

"É uma boa ideia, embora insuficiente, porque vem muita gente e, infelizmente, só uma máquina não é suficiente para todos que depositam as garrafas", explicou Massimo, um dos passageiros que aderiu ao projeto.

Roma foi a primeira capital da União Europeia a lançar esta medida. No resto do mundo, Pequim e Istambul têm iniciativas semelhantes.

Uma das associações mais ativas neste sentido é a Legambiente, que realiza campanhas anuais de conscientização para que a população se conscientize que esses materiais poluem o meio ambiente.

A Itália já proibiu, desde 1º de janeiro de 2019, a venda de cotonetes de plástico. A partir de 1º de janeiro de 2020, produtos cosméticos que contenham microplásticos também não poderão ser comercializados no país.

"A única coisa positiva desta emergência do planeta é que as ações estão se multiplicando, não só por parte do governo e da indústria, mas também dos cidadãos, que assumem costumes que antes eram impensáveis, como levar as próprias sacolas ao supermercado", destacou a subdiretora da Legambiente, Serena Carpentieri.

A organização WWF calcula que "a cada ano 570 mil toneladas de plástico terminam nas águas do mar Mediterrâneo, o equivalente a quase 34 mil garrafas de plástico jogadas ao mar a cada minuto".

"Se os países não adotarem soluções concretas e efetivas, em 2050 a contaminação quadruplicará na área mediterrânea", ressaltou a ONG.

Segundo os dados do Instituto Superior de Proteção e Pesquisa Ambiental (ISPRA), a cada 100 metros nas praias italianas é possível encontrar 770 objetos, dos quais 80% são de plástico.

Por isso, a região da Apúlia, no sul, proibiu o plástico nas praias desde o último verão. Os estabelecimentos locais agora utilizam materiais ecológicos e biodegradáveis.

O presidente da associação de consumidores Codacons, Carlo Rienzi, diz acreditar que as políticas de proibição do plástico precisam se estender por toda a Itália para proteger os interesses de moradores e turistas.

A venda de sacolas de plástico não biodegradáveis é proibida desde 2011 na Itália. Segundo a Legambiente, essa lei proporcionou uma diminuição de 55% do consumo de sacolinhas.