EFEAlfonso Fernández, Washington

O cofundador do Facebook Mark Zuckerberg reconheceu nesta quarta-feira, no Congresso americano, os "problemas" de credibilidade da empresa nos últimos anos, mas apelou ao patriotismo ao declarar que Libra, o projeto de moeda virtual da rede social, servirá para ampliar a "liderança financeira" dos Estados Unidos.

"Acredito que isto seja algo necessário, mas entendo que não somos o mensageiro ideal atualmente. Encaramos um monte de problemas nos últimos anos e tenho certeza que as pessoas desejariam que fosse outro, em vez do Facebook, a propor esta ideia", disse Zuckerberg diante dos congressistas do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes.

Zuckerberg se referia aos recentes escândalos associados à má gestão da companhia a respeito da privacidade dos usuários e do uso dessas informações por atores estrangeiros para tentar interferir nas eleições americanas.

O Facebook apresentou nesta semana uma série de mudanças para tentar evitar campanhas de desinformação e "identificar melhor novas ameaças, impedir vulnerabilidades e reduzir a propagação de fake news virais e contas falsas".

O empresário, de 35 anos, ressaltou que o objetivo do Facebook com Libra é "colocar o poder nas mãos do povo".

"As pessoas pagam um preço alto demais - e têm que esperar muito tempo - para enviar dinheiro às famílias no exterior. O sistema atual está falhando com elas", opinou.

O grande potencial dessa criptomoeda, por contar com a base de usuários da rede social (2.380 bilhões no mundo), gerou incômodo entre os reguladores tanto em nível nacional como internacional. Zuckerberg foi recebido com dureza pelos congressistas americanos.

"Durante um longo período o lema do Facebook foi 'se mover rápido e quebrar coisas'. Não queremos romper o Sistema Monetário Internacional", comentou Nydia Velázquez, congressista por Nova York.

Antes disso, o diretor executivo do Facebook optou pela prudência e declarou que se "retiraria" da iniciativa caso não conte com o apoio dos Estados Unidos.

Zuckerberg apelou ao patriotismo ao explicar que Libra servirá como ferramenta para ampliar "a liderança financeira" e "os valores democráticos" do país. O empresário aproveitou a ocasião para mencionar a China, o grande adversário econômico e geopolítico atual dos EUA.

"Enquanto debatemos esses temas, o resto do mundo não está à espera. A China está se movimentando com rapidez para lançar ideias similares nos próximos meses", ressaltou.

O Facebook e as outras 27 organizações que compõem a Associação Libra (entre elas Visa, Mastercard, Uber, Lyft, eBay, Vodafone e Spotify) anunciaram oficialmente em junho a criação da criptomoeda para 2020, que estará integrada ao WhatsApp e ao Messenger.

A intensa lupa dos reguladores e as suspeitas da opinião pública sobre Libra já provocaram uma baixa entre os parceiros do projeto. A multinacional americana de pagamentos pela internet PayPal anunciou no início de mês que abandonou os planos de fazer parte da iniciativa.

Outro a criticar a companhia foi o senador e pré-candidato democrata Bernie Sanders, que ressaltou que "Zuckerberg e outros multimilionários usaram o seu poder para controlar grande parte da vida política e econômica dos EUA" e se comprometeu a reduzir o poder do Facebook e outros monopólios em comunicado.