EFEBogotá

Com o futuro da neutralidade em risco e sob alerta devido ao aumento do fluxo de informações trocadas em todo o planeta, o Dia Mundial da Internet é celebrado nesta quinta-feira com, ao menos, um dado positivo: 53% da população do mundo já tem acesso à rede.

Várias organizações se uniram à celebração, organizada pela primeira vez em 2005 por iniciativa da Associação de Usuários de Internet da Espanha e depois ganhou caráter internacional, quando a ONU decretou a data como Dia Mundial da Internet.

A quantidade de dados transmitidos, a neutralidade e a segurança da rede marcam as discussões deste ano. Outros assuntos debatidos são o crescimento das conexões em dispositivos móveis, a velocidade de navegação, o papel da internet como veículo político e a lacuna de acesso no mundo, além do preço entre as diferentes regiões.

A internet cresce de maneira exponencial no mundo todo, como destacaram estudos como o "2018 Global Digital", produzido por We Are Social e Hootsuite. Segundo o documento, mais de 4 bilhões de pessoas usam a internet atualmente, o que representa 53% do total da população e uma alta de 7% em relação a 2017. Desse total, 3 bilhões são usuários de redes sociais.

O número de conexões móveis também cresceu 4% em relação a 2017, chegando a 5,13 bilhões, o que destaca a rápida evolução e os riscos que isso está gerando sobre a internet e a sociedade.

O cenário enfrentado pela internet hoje está repleto de desafios de grande calibre, como as discussões sobre a neutralidade da rede e a regulação sobre a privacidade dos milhões de dados dos usuários.

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) aprovou no fim do ano passado uma norma que acaba com a neutralidade na rede. Se entrar em vigor, ela reverterá uma lei do governo de Barack Obama, que impedia que os provedores bloqueassem ou diminuíssem a velocidade de acesso dos usuários a qualquer portal.

A hipótese despertou preocupação de ativistas e gerou uma onda de protestos contra a iniciativa nos EUA e outros lugares do mundo.

O Senado americano aprovou ontem um projeto que busca reverter a decisão da FCC, mas ele ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, onde os republicanos têm ampla maioria, e ainda ser sancionada pelo presidente Donald Trump, algo pouco provável.

Além disso, o dia também foi marcado pelas lembranças do escândalo envolvendo o Facebook, que teve dados de seus usuários acessados de forma indevida pela consultoria política Cambrigde Analytica através de um aplicativo na rede social. As informações foram usadas para prever decisões de eleitores e influenciá-los.

A estimativa é que 87 milhões de usuários tiveram seus dados vazados, especialmente nos Estados Unidos, onde a empresa ganhou US$ 15 milhões pelo trabalho desenvolvido para a campanha de Trump.