EFESão Paulo

A América Latina deve desenvolver tecnologia para o benefício do mundo, e não só da própria região, argumentou em entrevista à Agência Efe Nicholas Davis, representante da área de Sociedade e Inovação do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

A tecnologia não é "tão misteriosa", e suas "barreiras são menores do que as pessoas pensam", mas seu uso e desenvolvimento têm pela frente diversos desafios, entre eles a correta distribuição dos seus benefícios, de acordo com Davis.

A "descoberta das oportunidades" que essas tecnologias oferecem para o desenvolvimento econômico e social é uma das chaves da quarta revolução industrial, um dos temas centrais do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, realizado de amanhã até a próxima quinta-feira (15) em São Paulo.

Nesse contexto, a América Latina tem pela frente uma "grande oportunidade" para investir na sua capacidade tecnológica e apresentar as suas instituições como líderes mundiais em tal processo a fim de fomentar o benefício global, e não só o da própria região.

"O objetivo não é só desenvolver para a América Latina, mas para o benefício do mundo. Posicionar as instituições latino-americanas como líderes mundiais e não só como líderes na América Latina", alegou.

Segundo Davis, a América Latina conta com "grandes" institutos e instituições, como a Embrapa, que podem "se conectar" e "inspirar" novos modelos.

O representante do Fórum também lançou uma questão: "Que grande plataforma pode emergir de países como Brasil, Chile, Colômbia e México e que, além de um retorno valioso para o país, traga uma transformação real ao redor do mundo?".

Em busca do próprio caminho, a região, da mesma forma que os demais países do mundo, enfrenta diversos desafios na hora de lidar com a tecnologia - que é "valiosa", mas "parcial" - e por isso devem ser formuladas diversas questões.

"Como podemos estar seguros de que o aumento da produtividade gerada pela tecnologia não se destina só à riqueza, às partes interessadas ou aos investidores estrangeiros e é realmente distribuída entre os países e as comunidades que a produzem?", questionou.

Além de uma igualitária distribuição dos benefícios, a tecnologia não pode deixar de lado o componente humano, nem "criar novas divisões entre as pessoas", num momento em que algumas ferramentas são cada vez mais viciantes.

"Precisamos entender o que significa ser humano na era tecnológica", afirmou o representante do Fórum Econômico, uma evento que reunirá 750 líderes de diversos países na capital paulista.

As instituições e a sociedade também têm pela frente o desafio de desmitificar a complexidade da tecnologia, o que representa uma oportunidade para incentivar estudantes ou funcionários a experimentar por si mesmos as ferramentas.

O acesso às tecnologias, segundo Davis, "não é perfeito, mas é muito mais democrático e acessível do que as pessoas pensam".

Entretanto, ele alertou que a tecnologia é também "poderosa" e deve ser projetada e implementada "com e para as pessoas", levando em conta os "valores da comunidade" e a "complexidade e beleza" da humanidade.

"Temos que estar certos de que sempre se olha para o benefício das pessoas, e não só o retorno financeiro", concluiu.

Alba Santandreu.