EFEWashington

O Departamento de Segurança Nacional americano proibiu nesta quarta-feira que as agências governamentais usem o software da multinacional russa de segurança cibernética Kaspersky Lab devido à possibilidade que o Kremlin utilize essa empresa para espionar os Estados Unidos.

"O Departamento de Segurança Nacional está preocupado com os laços entre alguns funcionários da Kaspersky e a inteligência russa, bem como outros membros do governo russo", indicou em um comunicado o próprio Departamento (DHS, na sigla em inglês), encarregado de assuntos de cibersegurança.

Esse departamento expressou especial preocupação pelas leis russas que permitem que as agências russas de inteligência solicitem e coletem informação da Kaspersky.

"O risco de que o governo russo, seja por si só ou em colaboração com a Kaspersky, possa capitalizar o acesso que lhe outorgam os produtos Kaspersky para pôr em perigo os sistemas federais de informação afeta diretamente à segurança nacional dos EUA", afirmou o DHS.

A ordem para proibir o uso do software da Kaspersky foi anunciada pela secretária interina do Departamento de Segurança Nacional, Elaine Duke, que assinou hoje uma diretiva a respeito.

Segundo o estabelecido nessa diretiva, os departamentos e agências do governo devem identificar o uso ou a presença dos produtos da Kaspersky em um prazo de 30 dias para depois, em 60 dias, desenvolver planos que permitam a eliminação desses produtos.

Dessa forma, em 90 dias, o software da Kaspersky começará a ser eliminado de todos os computadores, tablets, telefones celulares e outros aparelhos eletrônicos do governo dos EUA.

A decisão é anunciada meses depois que a agência encarregada das compras do governo americano, a Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês), retirou a Kaspersky da lista de empresas de que se pode comprar diferentes tipos de software, como programas antivírus.

Os Estados Unidos responsabilizam a Rússia por grandes ataques informáticos, como o sofrido no ano passado pelo Comitê Nacional Democrata.

Como consequência desse ataque, em julho do ano passado, o portal WikiLeaks publicou mais de 19.000 polêmicos e-mails nos quais funcionários do Partido Democrata falam de táticas para enfraquecer Bernie Sanders, rival nas primárias de Hillary Clinton, que foi derrotada posteriormente nas eleições presidenciais por Donald Trump. EFE

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