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Barbie completa 60 anos neste sábado ainda majoritariamente loira, sexy e estilizada como quando a empresa Mattel registrou o seu nascimento em Nova York, no dia 9 de março de 1959 e, embora não mais tão desejada, seu aniversário é motivo para comemorar.

Na certidão, Barbie é, na verdade, Barbara Millicent Roberts, e seu nome passou a ser sinônimo de mulher jovem, atraente e preocupada com a aparência. A empresa pensa diferente.

"Com mais de 200 profissões, seis candidaturas à presidência e uma viagem à Lua antes que Neil Armstrong, Barbie continua evoluindo para ser um modelo relevante e moderno para todas as idades", disse Lisa McKnight, gerente geral e vice-presidente sênior da marca Barbie, em comunicado por ocasião dos 60 anos.

A Mattel, que parece ter conseguido interromper uma queda das vendas da boneca criada por Ruth Handler, celebra o aniversário com uma série especial da Barbie clássica e também com uma nova rodada de Barbies inspiradas em mulheres reais.

A Barbie 60th Anniversary, que ao longo da vida chegou a usar roupas feitas por grandes nomes da alta costura como Karl Lagerfeld, é "ideal para colecionadores e fãs" e tem "a boca fechada", algo que meninas e mulheres hoje parecem não apreciar muito, assim como algumas outras caraterísticas das bonecas em geral.

Talvez por isso Barbie não seja o que era no quesito vendas, embora, de acordo com sites especializados, 2018 tenha registrado uma alta, graças à reinvenção da Mattel com "uma plataforma para o empoderamento das meninas".

As vendas da Barbie totalizaram no ano passado US$ 1,09 bilhão, enquanto em 2017 foram US$ 955 milhões, segundo o portal Statista, que reúne dados dos mais variados assuntos. Em 2012, o número de vendas superou US$ 1,27 bilhão, mas 2015 foi o pior ano do período 2002-2018, com US$ 905,9 milhões.

Sua criadora dizia que a ideia de fazer uma boneca que não se parecesse com quem ia brincar com ela surgiu ao ver que as filhas gostavam de bonecas que pareciam "adultas". Para o projeto ela se inspirou na alemã Bild Lilli.

"Durante os 60 anos, a Barbie defendeu as meninas e inspirou gerações, fazendo com que confiassem em suas capacidades e mostrando que elas tinham opções", declarou McKnight.

O discurso da Mattel para enfatizar este ponto decisivo na vida da Barbie insiste que no universo de brincadeira criado ao seu redor - que inclui família, casa, carro, roupas e objetos para diferentes profissões - foi possível mostrar às meninas que não há nada que uma representante do sexo feminino não possa fazer.

Um dos espaços conquistados por Barbie é também a realidade.

No ano passado, a Mattel lançou versões da Barbie de mulheres de verdade, como Frida Kahlo e Amelia Earhart, e em 2019 vai colocar no mercado uma nova série, ainda maior, com vários nomes, entre eles o da surfista Maya Gabeira, que entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, por surfar a maior onda registrada entre mulheres.

Além da brasileira, a nova coleção vai incluir nomes como o da atriz americana Yara Shahidi, a tenista japonesa Naomi Osaka e a caminhoneira polonesa Iwona Blecharczyk.

A reinvenção da Barbie tem ainda a criação de um fundo para ajudar a diminuir a "lacuna dos sonhos". A cada Barbie 60th Anniversary vendida nos Estados Unidos, entre 6 e 11 de março, a Mattel doará US$ 1 para esse fundo.

A boneca pode ser comprada por US$ 60 (cerca de R$ 225) na internet, um valor simbólico se comparado ao que algumas pessoas dão por versões antigas ou de edições limitadas, que podem chegar a custar US$ 4.512,50 em site como o Ebay.

Ana Mengotti