EFEWashington

As primeiras audiências públicas da investigação da Câmara dos Representantes que pode resultar no impeachment do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começarão em uma semana, segundo informou a oposição democrata nesta quarta-feira.

As três primeiras testemunhas que irão falar em público perante as comissões que investigam Trump já prestaram depoimento em outubro. No entanto, o bloqueio da Casa Branca a novos depoimentos promete complicar a possibilidade de ouvir em audições abertas algumas vozes que ainda não se pronunciaram sobre o caso.

A fase pública terá início na quarta-feira, dia 13, com a presença de Bill Taylor, embaixador interino dos EUA na Ucrânia, e George Kent, subsecretário de Estado adjunto responsável pela política direcionada ao país europeu, anunciou o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, o democrata Adam Schiff.

No dia 15, será a vez de Marie Yovanovitch, que foi embaixadora dos EUA na Ucrânia até maio. No primeiro comparecimento, de portas fechadas, a diplomata revelou que teve a saída do cargo pressionada por Trump.

"As audiências públicas darão uma oportunidade ao povo americano para avaliar as testemunhas e a credibilidade delas, além de conhecer de primeira mão os fatos da negligência do presidente", comentou Schiff em declarações à imprensa no Capitólio.

A oposição acredita que esses depoimentos deixarão claro que "os fatos mais importantes" do inquérito são inquestionáveis, incluindo que Trump pressionou a Ucrânia a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden e que o presidente condicionou um pacote de ajuda financeira ao país europeu para realizar essas investigações sobre o pré-candidato democrata.

"Estamos vendo cada vez mais claramente o que exatamente aconteceu neste ano, e até que ponto o presidente recrutou departamentos inteiros do governo com o propósito ilícito de fazer com que a Ucrânia mostrasse os podres de um rival político e mais teorias da conspiração sobre as eleições de 2016", disse Schiff.

Os democratas não estabeleceram um calendário concreto para a conclusão da investigação, que certamente terminará em uma votação na Câmara dos Deputados para ver se autorizará o impeachment de Trump, que avançaria para o Senado, de maioria republicana.

Como aperitivo para a fase pública, as comissões de investigação divulgarão nesta quarta-feira uma transcrição do depoimento de Taylor concedido de portas fechadas, em outubro.

Os democratas enfrentam dificuldades para interrogar várias das principais testemunhas na investigação: o chefe de gabinete interino Mick Mulvaney foi convocado para sexta-feira, mas se recusou a comparecer, e o ex-conselheiro de Segurança Nacional John Bolton também não é esperado na quinta-feira.