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O resultado das eleições presidenciais venezuelanas de 20 de maio terá que enfrentar o olhar vigilante de boa parte do mundo e o fato de que muitos países não reconhecerão o resultado, por considerar que foram convocadas ilegalmente.

Diante da oposição do Parlamento Europeu, dos Estados Unidos e vários países latino-americanos, o novo presidente venezuelano - que, segundo as pesquisas, será mesmo Nicolás Maduro -, contará com o apoio da Rússia, um dos seus principais parceiros econômicos, e da Aliança Bolivariana para os Povos da América (ALBA).

Desde a decisão no último dia 23 de janeiro da plenipotenciária e governista Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de ordenar ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano que convocasse as eleições, diversos governos se mostraram em desacordo com uma decisão que tacharam de unilateral e ilegal.

Estes governos não reconheceram a ANC por acreditar que foi eleita e instalada de forma fraudulenta e, a partir desse momento, consideraram que todas as decisões do fórum chavista são ilegais.

O primeiro confronto diplomático de repercussão aconteceu nos dias prévios à Cúpula das Américas de meados de abril no Peru, quando o Grupo de Lima pediu a retirada do convite ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para este evento em rejeição à convocação antecipada das eleições.

Caracas acusou seus integrantes - Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Guiana e Santa Lúcia - de atuar contra os estatutos da própria organização.

Além disso, a menos de uma semana para as eleições, o Grupo de Lima lançou um ultimato ao governo de Maduro para que suspendesse o pleito de domingo.

Os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e da vizinha Colômbia, Juan Manuel Santos, declararam abertamente que não reconhecerão o vencedor dessas eleições.

A decisão do Grupo de Lima foi também respaldada pelos EUA e o seu presidente Donald Trump qualificou Maduro em várias ocasiões como "ditador".

Na última reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, no último dia 7 de maio, o vice-presidente americano, Mike Pence, pediu a suspensão da "simulação de votação" que, segundo disse, "será uma eleição falsa com um resultado ilegítimo", e garantiu que Trump "não ficará de braços cruzados enquanto a Venezuela desmorona".

Os EUA aprovaram várias sanções econômicas contra o governo venezuelano e contra vários dos seus altos cargos, incluindo Maduro, enquanto Canadá, Suíça e Panamá também ativaram medidas contra funcionários e antigos membros da equipe do presidente.

O Parlamento Europeu também deu sinal verde, por grande maioria, no último dia 3 de maio, a uma resolução que rejeita as eleições presidenciais venezuelanas e pediu sua "suspensão imediata".

Nesse sentido, salientou que a União Europeia só reconhecerá eleições "que estejam baseadas em um calendário eleitoral viável, sejam estipuladas no contexto do diálogo nacional com todos os atores e partidos políticos relevantes, e nas quais se cumpram condições de participação equitativa, justas e transparentes".

Por outro lado, o novo presidente venezuelano, que terá que esperar até 10 de janeiro de 2019 para assumir seu cargo, já recebeu o apoio dos países integrantes da Alba e, sobretudo, da Rússia.

Moscou criticou no último dia 4 de maio o que qualificou - nas palavras da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova - de "pedidos de boicote" das eleições e acusou os EUA de "isolar" a Venezuela para provocar protestos contra Maduro.

Por sua parte, a Alba - composta por Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Suriname, Nicarágua, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Nevis, Granada e Venezuela - aprovou na declaração final da sua cúpula de 5 de março seu "firme apoio" a Maduro, ao seu governo e "ao processo democrático que dirige".

Além disso, reconheceu "o direito inalienável do povo venezuelano a realizar e participar" nos pleitos de 20 de maio, "conforme suas normas e procedimento interno", e respaldou seus "esforços para encontrar por si mesmos as respostas aos seus desafios políticos e econômicos".