EFEDavid Asta Alares, Paris

Com 217 adultos e 54 menores repatriados da Síria e do Iraque e mais de 18 mil fichados por radicalização, a França enfrenta o dilema quanto a o que fazer com estas pessoas para se certificar de que abandonem qualquer projeto de violência.

"Há um problema e é preciso resolvê-lo, podemos simplesmente colocá-los na prisão, mas não é certo que vão abandonar sua ideologia", respondeu com contundência o sociólogo Gérald Bronner à Agência Efe.

Para Bronner, membro do Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS) da França, a questão é complexa porque "é impossível eliminar uma ideia de alguém, tampouco podemos fazer com que uma pessoa a siga com menos intensidade".

O governo francês adotou diversas medidas para conter a radicalização, como a criação de programas de avaliação em prisões, enquanto associações civis lançaram iniciativas nesse mesmo âmbito, mas para o sociólogo é necessária uma maior vontade política.

O ministro do Interior, Gérard Collomb, anunciou recentemente o fechamento do primeiro e único centro francês de desradicalização jihadista, criado em 2016 para acolher 25 jovens entre 18 e 30 anos, mas que só recebeu nove, sendo que nenhum deles concluiu o programa.

O cancelamento do projeto significa "um fracasso", mas não "uma renúncia", reconheceu Collomb em uma entrevista publicada no último domingo pelo jornal "Le Journal du Dimanche".

Segundo Bronner, que interveio regularmente nesse centro, o erro não está no programa em si, mas na estratégia de participação voluntária, "uma decisão política", que fez com que tenha ficado sem ocupantes.

O estabelecimento tinha o intuito de "desenvolver o espírito crítico dos participantes" sem "colocar suas crenças em questão", para que tomassem "um pouco de distância intelectual a respeito delas", explicou.

O passo seguinte? "Reproduzir a experiência em um meio fechado, semicarcerário, mas que não fosse uma prisão", afirmou, já que "o programa é extremamente incentivador e despertou muito interesse em nível internacional".

Entre 600 e 700 franceses ainda estão no Iraque e na Síria, segundo o Ministério do Interior, e o número de pessoas apontadas pela polícia como "muito radicalizadas" continuou aumentando até alcançar uma cifra "enorme", disse à Efe o cientista político Sébastian Roché.

Para ele, há dois elementos essenciais em uma pessoa radicalizada. "O primeiro consiste em uma mistura de apreensão e rejeição" a uma comunidade ou a uma ideia, e o segundo se baseia na legitimação "da violência".

"É muito difícil mudar a atitude de alguém que reúne as duas características", porque foram aprendidas "ao longo do tempo e aparecem com mais frequência nas áreas desfavorecidas", ressaltou Roché.

Uma análise com a qual concorda Latifa Ibn Ziaten, mãe de um militar assassinado - junto a outras seis pessoas - em Toulouse em 2012 pelo terrorista Mohammed Merah, e que após o ataque fundou uma associação que ajuda jovens com problemas a evitar que caiam nos círculos de influência jihadista (...).

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