EFEJerusalém

As autoridades de Israel aprovaram nesta quinta-feira um plano para a construção de cerca de 650 novas casas nas colônias judaicas de Ramat Shlomo e Ramot, situadas na região ocupada de Jerusalém Oriental, informou a ONG israelense Ir Amim, acrescentando que o projeto inclui terras de propriedade privada palestina.

O plano, aprovado pelo Comitê de Planejamento e Construção do Distrito de Jerusalém, contempla a criação de 500 unidades de habitação em Ramat Shlomo e 152 em Ramot, segundo a ONG.

"Promovido por israelenses que reivindicam a propriedade da terra, o plano de Ramat Shlomo exemplifica a discriminação endêmica no processo de planejamento (urbano), que serve para frustrar o planejamento e o desenvolvimento palestino", denunciou a Ir Amim.

Segundo a ONG, as terras de propriedade privada palestinas que fazem parte do plano israelense serão incluídas "em uma área designada para um parque e para uma estrada de acesso".

Além disso, a Ir Amim denuncia que as empresas que promovem o projeto "envolveram a administração municipal de Jerusalém" para que fosse registrada "como solicitante adicional, o que permitiu a desapropriação de terras palestinas e lhes deu a oportunidade de apresentar um plano em terras que não são de sua propriedade".

"Israel criou este ano um total de 5.778 unidades de assentamento, um número recorde desde 2012, fazendo deste um dos anos mais dourados para a promoção de assentamentos em Jerusalém Oriental", acrescentou a associação.

Para a ONG, "a aprovação dos planos servirá para ampliar o alcance de Israel nas áreas palestinas adjacentes, e aprofundar a divisão da Cidade Sagrada, dificultando qualquer acordo político que preveja o estabelecimento de duas capitais em Jerusalém com os palestinos, que reivindicam a parte oriental ocupada da cidade como a capital de seu futuro Estado".

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP), por sua vez, denunciou ontem a demolição de uma construção no campo de refugiados de Shuafat, em Jerusalém Oriental, no qual viviam duas famílias palestinas.

"A demolição de casas palestinas é uma realidade cotidiana no leste ocupado de Jerusalém, enquanto Israel continua anunciando a construção de mais unidades de assentamentos e transferindo mais população civil para a Palestina ocupada", denunciou a OLP em comunicado.