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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, insinuou nesta terça-feira que os Estados Unidos apoiam a presença de jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) no Afeganistão, o que poderia ser uma estratégia para derrotar os talibãs.

"É muito preocupante como cresce a influência do EI no Afeganistão, e temos sérias suspeitas ao ver como a coalizão (da Otan, liderada pelos EUA) enfrenta essa ameaça e as medidas tomadas para preveni-la. Não está claro contra quem será usada essa força", disse Lavrov.

O chanceler russo acrescentou em entrevista coletiva conjunta com seu homólogo paquistanês, Khawaja Asif, que tudo isso se dá no contexto de uma nova estratégia de Washington para o Afeganistão, que pretende vencer na força a oposição talibã.

Lavrov afirmou que os dados da inteligência russa e paquistanesa indicam que já são mais de mil os combatentes do EI desdobrados no norte e leste do Afeganistão.

"E sua presença aumenta. (...) É preocupante que os militares dos EUA e da Otan presentes no Afeganistão tentem silenciar e negar estes fatos", ressaltou o chefe da diplomacia russa.

O chanceler acrescentou que Rússia e Paquistão concordam que o desdobramento do EI no Afeganistão é uma ameaça e trabalham em uma estratégia comum para impedi-lo, no marco da Organização de Cooperação de Xangai, à qual ambos os países pertencem.

Nesse contexto, as forças dos dois países participarão neste ano de manobras táticas conjuntas "para trabalhar a coordenação em operações antiterroristas", afirmou Lavrov.

O ministro lembrou que a Rússia transferiu no ano passado quatro helicópteros de combate meu-35M ao Paquistão.

"Cooperamos nos âmbitos técnico-militar e de energia, e assinamos um acordo para a cooperação entre bancos", disse, por sua vez, Asif.

O Paquistão se aproximou nos últimos anos de Moscou, depois que os EUA acusaram Islamabad de tolerar e dar apoio aos talibãs, que segundo Washington utilizam o território paquistanês que fazem fronteira com o Afeganistão como refúgio.