EFEBogotá

Lucas Villa, o manifestante que foi baleado oito vezes durante um protesto pacífico na quarta-feira passada na cidade de Pereira, na Colômbia, morreu nesta terça-feira após passar seis dias em estado crítico e tornou-se um símbolo de uma das piores crises sociais do país, que deixou pelo menos 27 pessoas mortas.

Villa, de 37 anos, morreu no Hospital Universitário San Jorge, nesta cidade do oeste do país, após ser vítima de um dos atos de repressão mais violentos contra manifestantes pacíficos ocorridos durante as mobilizações que começaram no último dia 28 de abril contra o governo do presidente colombiano, Ivan Duque.

"Acompanhamos a família Villa com profunda tristeza após a notícia da morte de Lucas", escreveu Duque hoje em sua conta no Twitter ao confirmar a morte do manifestante.

Villa era estudante universitário e participou ativamente dos protestos dos últimos dias, primeiro para rejeitar um projeto de reforma fiscal e, em seguida, contra a brutalidade policial e outras políticas governamentais.

Juntamente com outros manifestantes, Villa protestava pacificamente no viaduto que conecta Pereira, capital do departamento de Risaralda, à vizinha Dosquebradas, quando pessoas com roupas civis montadas em uma motocicleta abriram fogo.

"Repito o que falei com Maurício, seu pai, que esta é a oportunidade de nos unirmos e expressarmos nossa rejeição à violência. Aos responsáveis, o peso total da lei", acrescentou Duque em relação à morte de Villa.

SÍMBOLO DE RESISTÊNCIA PACÍFICA.

O nome de Villa foi lembrado nos últimos dias por milhares de colombianos que alimentavam a esperança em sua recuperação e que, através da arte, apelaram à justiça para que ataques como o que ele sofreu não se repitam no país.

Em alguns vídeos gravados antes do ataque, Villa pode ser visto dançando nas ruas, acenando aos polícias e gritando palavras de ordem como "Eles estão nos matando".

Em várias partes do país houve múltiplos relatos de intimidação de manifestantes por homens armados supostamente contrários ao vandalismo, assim como de denúncias de ataques a tiros, como aconteceu com Villa.

O presidente Iván Duque condenou o ataque a Villa há alguns dias e pediu que as autoridades policiais esclareçam as circunstâncias do ataque e capturem os responsáveis.

A Polícia Nacional ofereceu no sábado passado 100 milhões de pesos (cerca de US$ 27.000) em recompensa por "informação sobre os criminosos que atentaram contra a vida do jovem Lucas Villa".

O diretor da polícia, general Jorge Luis Vargas descreveu Villa como um "símbolo de protesto pacífico na Colômbia" e assegurou que "as melhores unidades do corpo de elite foram enviadas para Pereira para investigar este doloroso acontecimento".

Desde que os protestos começaram, pelo menos 27 pessoas morreram, segundo informaram na sexta-feira passada a Procuradoria-Geral da República e a Defensoria Pública em um documento que esclarece que, dessas mortes, 11 estão diretamente ligadas aos acontecimentos, sete estão "em verificação" e nove não têm qualquer relação com as manifestações.