EFEBraga (Portugal)

Abel Ruiz tem 20 anos, começou nas escolas do Valência, aos 12 assinou pelo Barcelona e é a contratação mais cara da história do Braga; o seu amigo David Villa é o seu representante e sonha chegar a ser o 9 da seleção espanhola.

Abel Ruiz, que chegou ao Braga por empréstimo no passado mês de janeiro, recorda, numa entrevista com a Efe, que passou o confinamento junto a Francisco Trincão, a quem ensinou um pouco de catalão.

P: Os teus inícios no futebol em criança.

R: Com 2-3 anos os meus pais viram que gostava muito da bola ou qualquer coisa redonda que via pela rua. E inscreveram-me no clube da zona, de Almusafes, e fiquei lá até aos 7-8 anos, quando o Valência me viu e me assinou, e depois tive a sorte de ir para o Barcelona.

P: Escolha difícil: Real Madrid ou Barcelona

R: Tive a sorte de que várias equipas tenham reparado em mim, e recordo-me quando os meus pais me disseram que tinha duas grandes ofertas, que era a do Real Madrid e a do Barcelona. Naquela altura pensei bastante, mas no dia seguinte cheguei à escola, e ao falar com os meus amigos sabia que claramente que o Barcelona era o melhor para mim, para continuar a crescer.

P: A chegada ao Barcelona.

R: Lembro-me que no primeiro dia fui visitar Barcelona. Encontrei-me com o David Villa, que agora me representa com a sua agência. E tenho fotos com ele e agora sou bastante amigo dele. Era um ídolo para mim. E no dia em que cheguei para ficar encontrei o Tito Vilanova, que na altura era o treinador.

P: Na academia do Barcelona.

R: Os primeiros meses são muito complicados. Vais para lá com 12 anos, sem os pais. Os meus pais iam ao fim de semana, mas durante a semana estás lá, escola pela manhã, à tarde vais treinar, é uma dinâmica que se torna complicada. Mas havia um grupo humano muito bom na academia e consegui adaptar-me rapidamente. No primeiro ano em que cheguei tive muita amizade, sobretudo com o meu colega de quarto, o Ángel Bermejo (guarda-redes), que me ajudou um montão e cuidou muito de mim. Nos infantis chegou um dos meus melhores amigos, Juan Miranda, e estivemos juntos durante toda a minha trajetória no Barça.

P: A seleção

R: A primeira convocatória foi a de um torneio de futebol 5 na Rússia, uma experiência muito bonita, e quando saiu a lista foi uma felicidade incrível. Estou a trabalhar a 200% para poder dar o melhor de mim e poder ser o 9 da seleção espanhola, que é o meu sonho.

P: O ponto de inflexão no Barcelona chegou a princípios de 2020

R: Desde o início do ano que tive várias ofertas e pensei bastante, porque não tinha visto uma certa confiança. Tinha visto confiança quanto a estar na B, mas o que eu queria era um salto à primeira equipa. Então considerei que o melhor era sair e procurar outra oportunidade.

P: O Braga

R: O Braga chegou no último momento, com um projeto que me alegrou muito e considerei que era a melhor opção. Tanto o presidente como o diretor desportivo foram a Barcelona para falar comigo e transmitiram-me muita confiança.

P: Braga, um grande desconhecido

R: Está a crescer muito, vai para mais, há uma grande família e quando cheguei alucinei. Este vai ser um grande ano e vamos conseguir algo grande. Estou muito contente.

P: De Rúben Amorim a Carlos Carvalhal

R: Amorim confiou muito em mim e agradeço. Carvalhal é um grande treinador e desde o primeiro dia que nos transmitiu muita força e confiança, e pessoalmente deu-me muita tranquilidade, confia muito em mim. É o treinador ideal para o Braga. Jogo como 9, que é a posição em que estou mais confortável e com liberdade. Quero ajudar a equipa com golos, que é o meu trabalho. Vim para aqui para continuar a crescer, creio que é o clube ideal.

P: Confinamento com Trincão em março.

R: Foram semanas nas quais partilhamos muito porque vivemos juntos, também com o futebolista David Carmo. O Trincão conseguiu apanhar um pouco de espanhol e até de catalão de mim e ensinei-lhe um pouco do que ia encontrar em Barcelona. Falo bastante com ele, e é normal que agora me pergunte muito por coisas de lá e ajudo-lhe no que posso. Tem um à vontade enorme e no um contra um é incrível e uma personalidade que o vai fazer chegar ao mais alto, oxalá seja no Barça.

P: A Liga de Portugal.

R: Surpreendeu-me. Muito toque de bola, muito jogo de equipa que não esperava, achava que era uma liga mais física, é uma liga com equipas que jogam muito bem futebol. O Corona, do Porto, parece-me um jogador muito bom, e Ricardo Horta, da nossa equipa, parece-me espetacular.

Carlos García