EFELisboa

O central brasileiro do Rio Ave Aderllan Santos, que passou pelo Valência e São Paulo, diz que não troca a camisola com o rival no final do jogo, "não tem sentido".

O defesa, de 31 anos, destaca durante uma entrevista com a Agência EFE o começo da sua carreira, a etapa no Valência e o seu presente no Rio Ave, quinto no campeonato, destacando que é um clube muito família que luta para voltar a ficar nos lugares europeus, e aponta o jovem lateral Costinha, internacional sub-20 com Portugal, como um dos valores da equipa e que será no futuro uma referência do futebol.

Pergunta: A tua equipa é o São Paulo?

Resposta: Gosto do São Paulo, também gosto de ver jogar o Flamengo, Fortaleza. Gosto do futebol 24 horas.

P: Inícios no futebol europeu, a adaptação.

R: Difícil. Sou de Salgueiro, o clube que me abriu a primeira porta. Quando saí de casa tive um convite para jogar no Trofense, em Portugal, tinha um pouco de medo, porque tinha que sair para jogar. Tive várias pessoas que me ajudaram e a vontade e luta foram as coisas que me marcaram. Porque o meu maior adversário sou eu próprio: eu contra mim. Depois foi o Braga, Valência, São Paulo, Arábia, e agora estou aqui outra vez, feliz.

P: Etapa no Braga

R: Tive dois treinadores no Braga. Jesualdo Ferreira foi o primeiro, e o segundo com o qual tive uma época inteira foi Sérgio Conceição, agora no Porto. Também tive José Peseiro (selecionador da Venezuela), mas foram quatro meses. E na equipa B tive António Conceição, "Toné", que me ajudou a dar o salto à equipa A. Estava chateado porque todos os jogadores tinham subido à primeira equipa e eu não. Ele ligou-me um dia e disse-me: 'Quero que subas (à primeira equipa) e não voltes mais à B'.

O Jesualdo ajudou-me bastante, e estive uma época inteira com o Sérgio Conceição, que me ajudou ao nível pessoal, porque tive uns problemas de família. Ajudou-me bastante. Foi assim.

P: Etapa no Valência com Nuno Espírito Santo.

R: O ano começou bem, com a classificação para a Champions, e sabes como é o Valência, uma equipa grande que quer sempre ganhar tudo, mas não nos classificamos para a fase seguinte da Champions e depois foi um pouco difícil. Uma pressão bastante grande em toda a equipa.

P: Como foi o regresso a Portugal para jogar no Rio Ave?

R: É uma equipa que é uma família, com pessoas muito boas, e quando o Rio Ave me contactou nem hesitei. Queria jogar num clube como o Rio Ave, que está a crescer.

P: Quintos com o foco posto na Europa.

R: Liga Europa... Primeiro todos nós (jogadores) temos de melhorar. Podíamos estar melhor do que em quinto. Temos de ser regulares, porque este ano vai ser difícil: o Boavista reforçou-se muito, Guimarães também, Moreirense, Paços de Ferreira, Tondela... Não vai ser fácil.

P: Alguma jovem promessa do Rio Ave?

R: Uma que não joga muito, chama-se Costinha, que é lateral. É capitão da seleção sub-20 (de Portugal) e tem tudo. Eu vejo-o como olhava para o Carlos Soler, do Valência, que ia treinar mas não jogava. E agora é o jogador que todos sabemos. O Costinha é assim, vejo muito isso. Tal como vi o Militão em São Paulo. Tinha 20 anos, entrava em campo, treinava e não jogava. E quando jogou o primeiro jogo não saiu mais. Depois, 50 milhões para o Real Madrid.

P: Não trocas a camisola com nenhum rival, certo?

R: Agora troco mais para oferecer a um amigo, ou assim. Para mim próprio não. Olha, ligou-me um amigo para que trocasse a camisola no jogo do Barcelona com o Neymar e eu disse "não, não posso". Quando acaba o jogo, saio. Se for meu amigo, sim, mas se não é meu amigo não tem significado para mim. Tenho camisolas que foram oferecidas por Marcelo, Danilo,... depois do jogo, mas logo após acabar trocar a camisola com alguém que não conheço para mim não tem sentido.

P: Mas dentro do campo, nenhuma concessão ao rival.

R: Não dou nada fácil a ninguém, não ofereço nada. Mas nunca vou apontar o dedo a nenhum colega.

P: Jorge Jesus marcou um antes e depois no futebol brasileiro?

R: Quando o Flamengo contratou o treinador Jorge Jesus ele cresceu muito e ganhou o campeonato brasileiro e a Libertadores, algo que nenhuma equipa tinha conseguido no mesmo ano. A forma como o Flamengo jogava era incrível e muitos clubes foram buscar treinadores como os portugueses Abel Ferreira, Sá Pinto, etc... O futebol brasileiro está a crescer muito.

Carlos García