EFELisboa

Bruma, o extremo internacional português que acaba de ganhar a Liga grega com o Olympiacos, onde joga por empréstimo do PSV Eindhoven, confessa à EFE que se considera 'txuri-urdin' vitalício, já que aos 19 anos jogou na Real Sociedad. Os seus próximos desafios são uma convocatória para disputar o Europeu com Portugal e ganhar a Taça da Grécia.

Nascido na Guiné-Bissau, admite que a sua infância neste país, e ao chegar a Portugal, Bruma, alcunha dada por um amigo do seu pai, lutou para se adaptar a uma cultura totalmente diferente da sua.

Numa entrevista com a Agência Efe, Armindo Tué Na Bangna diz sentir-se muito feliz depois de ganhar o campeonato grego, e recorda com especial carinho a sua estreia com o Sporting, aos 18, e a sua passagem pela Real Sociedad, com 19.

Bruma confessa-se um grande admirador da equipa espanhola: vê todos os jogos e define-se como 'txuri-urdin' para toda a vida.

O jogador espera que a sua relação com Fernando Santos, selecionador de Portugal que lhe deu a sua estreia pelas "quinas", e pelo qual não esconde a admiração, lhe dê uma nova oportunidade.

Agora, depois da vitória na Liga grega, o extremo foca-se no próximo objetivo: a Taça da Grécia, na qual o Olympiacos do Pireu vai enfrentar no próximo dia 27 de abril o Giannina na segunda-mão, depois de um empate a uma bola no primeiro jogo.

Pergunta: Infância na Guiné-Bissau e interesse pelo futebol.

Resposta: Não me lembro bem da minha infância, mas acho que foi muito dura porque as condições, em comparação com Portugal, eram totalmente diferentes. É muito duro viver lá.

O meu interesse pelo futebol apareceu quando jogava em Guiné-Bissau, na rua, frente à minha casa. Em Portugal comecei a adorar o futebol. Cheguei com 11 anos, e ao princípio não foi nada fácil. Era outra cultura, mas adaptei-me e as coisas correram bem.

P: Estreia com o Sporting.

R: Foi algo com o qual sempre tinha sonhado. Sempre quis estar na equipa principal do Sporting e cheguei lá, graças a Deus, quando tinha só 18 anos. As coisas correram muito bem e é um clube que tenho sempre no meu coração.

P: Ida para o Galatasaray.

R: Em 2013 fui para a Turquia, mas as coisas não correram como eu queria. Tive uma lesão no joelho e tive que parar durante seis meses até recuperar completamente.

Depois falei com o treinador do Sporting porque queria jogar mais e fui emprestado à Real Sociedad, onde fiz 33 encontros, se não me engano. Foi muito bom ir para Espanha.

P: Portugal, Turquia, Espanha, Alemanha, Holanda, Grécia… Qual é o teu país favorito?

R: Acho que a Turquia. É um país em que estive muito, que conheço muito bem. Embora também Espanha. Gostei muito do tempo em que estive na Real Sociedad. São pessoas muito boas e o presidente é muito boa pessoa.

P: Voltarias?

R: Gosto muito da Real Sociedad, o seu jogo. Acho que sim, voltaria. Vejo praticamente todos os seus jogos e a sua trajetória está a ser muito boa. Estou muito feliz pelo clube, pelos colegas que lá deixei e também pelo presidente, porque acho que o clube merece o momento pelo qual está a passar.

P: Metas depois da SuperLiga grega.

R: Os meus objetivos são regressar à seleção, ir ao Europeu e ganhar a Taça da Grécia.

P: Regresso a Portugal.

R: Sou português e seria lógico que quisesse voltar a Portugal. Mas de momento não é algo que esteja na minha cabeça, pois quero continuar com a minha carreira fora. Mas talvez algum dia.

P: Regresso à seleção.

R: Neste momento posso dizer que estou confiante num regresso à seleção. Ganhei o campeonato aqui na Grécia e espero ganhar também a Taça, continuar a jogar e demonstrar qualidade, ajudar os meus colegas e tentar marcar golos e fazer assistências.

Espero regressar porque o Fernando Santos conhece-me e sabe como sou, pelo que as coisas poderão correr bem e poderão chamar-me para o Europeu.

P: O teu contrato termina a 30 de junho. Vais continuar na Grécia?

R: Vou decidir isso quando termine a Liga, a Taça e depois da convocatória da seleção. Depois disso tudo vou pensar no que é melhor para mim. Falei com o meu representante e gosto muito de estar no Olympiacos, mas é o que digo, vou decidir quando tudo terminar.

P: Tens contacto com a Real Sociedad?

R: Sim. Tenho contacto com alguns jogadores porque é um clube que me ajudou muito. É um clube fantástico, o presidente e as pessoas são todas muito boa e acho que é um clube que fará qualquer jogador feliz. Sou Txuri-urdin para toda a vida.

P: Liga Portugal. Impressões.

R: A Liga Portugal evoluiu muito nos últimos anos e estou feliz de conhecer muitos jogadores bons. É uma liga muito boa e podemos dizer que é uma liga competitiva e com bons jogadores, todos querem jogar futebol. Não é uma liga fácil, hoje em dia, não é fácil porque tem muitos clubes que são bons.

P: Triunfo do Sporting.

R: Espero que o Sporting ganhe a Liga porque merece. Mas com seis pontos está tudo em aberto, todos que gostam de desporto sabem isso que com seis pontos no futebol é possível. O Sporting terá que lutar até ao último jogo. O jogador do Sporting com quem mais falo é o João Mário, que é muito boa pessoa.

P: A seleção de Portugal poderá ganhar o Europeu e o Mundial do Catar 2022?

R: Porque não? Portugal é um país que tem muitos bons jogadores e está a jogar numa boa liga. Acho que está em condições de ganhar o europeu outra vez, de ganhar o Mundial, e de ganhar qualquer competição.

P: Há uma colónia portuguesa no Olympiacos.

R: Sim, aqui há muitos portugueses. O treinador é muito boa pessoa e tenta que os jogadores sejam seus amigos, fala com eles todos os dias. Creio que é um técnico que poderá dar o salto e ir a qualquer clube grande.

A relação com os meus colegas é que todos são boas pessoas e bons jogadores. Estou muito feliz por estar a jogar com eles. Com quem mais falo é com o Semedo e com o Tiago.

Andrea Caballero de Mingo