EFEParis

Com periodicidade de relojoeiro, o fantasma de Benzema reaparece na seleção francesa, que sem o seu avançado mais brilhante se proclamou campeã do mundo, mas que não tem conseguido evitar que a sombra do madridista continue a persegui-la.

A cada vez que se avizinha a convocatória de uma grande competição ou que o calendário celebra o aniversário da imputação de Karim Benzema, o seu caso regressa às primeiras páginas dos jornais.

E sempre na contramão do jogador do Real Madrid, que vê como, apesar do seu grande rendimento com a camisola 'merengue', as suas opções de voltar a vestir a "bleu" se desvanecem.

"A SUA AVENTURA COM FRANÇA TERMINOU"

O último encontrão foi este fim de semana com o presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), Noël Le Graët, que fechou a porta da seleção a Benzema.

"É um dos melhores na sua posição. Mas a sua aventura com França terminou", afirmou Le Graët em declarações à RMC.

A resposta de Benzema não se fez esperar, escrevendo-a através do Twitter: "Pensava que não ia interferir nas decisões do selecionador. Saiba você que eu, e só eu, porei fim à minha carreira internacional. Se pensa que estou acabado, deixe-me jogar por um país no qual seria selecionável e logo vemos".

Benzema, de origem argelina, abria assim a porta a jogar com a seleção norte-africana, embora o regulamento da FIFA impeça um jogador que disputou uma competição oficial com uma seleção o faça com outra. O madridista vestiu a camisola "bleu" por 81 vezes.

Há pouco mais de um ano, quando se aproximava o terceiro aniversário da imputação de Benzema no "caso Valbuena", a tentativa de chantagem de um colega de seleção com um vídeo sexual, Le Graët já tinha aludido ao fim da carreira internacional do futebolista.

Mas então, com uma França que acabava de se proclamar campeã do mundo, foi menos taxativo e, sobretudo, o rendimento do jogador não era tão brilhante.

GIROUD, O AVANÇADO DE FRANÇA, NÃO JOGA COM O SEU CLUBE

Benzema leva 11 golos nos 15 encontros disputados com o Real Madrid. O selecionador, Didier Deschamps, mantém a sua confiança em Olivier Giroud, de 33 anos, apesar de não entrar nos planos de Frank Lampard no Chelsea.

"Para mim, é o melhor, logo tem lugar na seleção francesa, isso está claro", afirmou o seu treinador no Real Madrid, Zinedine Zidane.

No entanto, Deschamps encontrou em Giroud uma peça para o seu esquema e o avançado paga-o com golos: com 39, é o terceiro melhor marcador da história da equipa, a dois de Michel Platini e a 12 de Thierry Henry.

O relógio de Benzema, que desde finais 2015 não acerta com a seleção, fica em 27 golos, e viu como era ultrapassado por Antoine Griezmann, com 30, que tem sido assinalado por Deschamps como o líder do grupo.

"Ao descartar Benzema tenho feito crescer Griezmann", assegura o técnico, segundo o jornal "Libération". O selecionador, prudente, assegura cada vez que é perguntado que a ausência de Benzema se deve a motivos desportivos.

FERIDAS ABERTAS

Mas, ao mesmo tempo, não oculta que ainda sangra pelas feridas que se abriram neste caso. Deschamps viveu-o em primeira pessoa em junho de 2016, quando a sua casa na Bretanha acordou com graffitis no qual se lia "racista".

Foi pouco depois de anunciar a lista de convocados para o Europeu de França, na qual não estava o madridista, que o jogador, visivelmente incomodado, acusou Deschamps de "ter cedido à pressão de uma parte racista de França".

Os que conhecem o selecionador asseguram que nesse momento romperam-se todos os vínculos. Benzema, ao qual tinha convocado de forma sistemática mesmo quando encadeou mais de 1.200 minutos sem marcar com a seleção, lhe impôs um veto total, do qual nunca deu explicações.

Luis Miguel Pascual