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O avançado francês Antoine Griezmann não vai jogar na próxima época no Atlético de Madrid. O jogador comunicou-o esta terça-feira a dirigentes, treinador e adeptos, e com a sua decisão, que no verão passado foi em sentido contrário, força uma reconstrução a um clube que perde várias peças chave.

Os rumores que tinham aumentado durante as últimas semanas sobre uma saída do jogador rumo ao Barcelona levaram a uma reunião na qual o Atlético queria ouvir do próprio jogador quais eram os seus planos para a seguinte temporada, fundamentais para a planificação do plantel.

Foi numa reunião vespertina nesta terça-feira na qual o avançado francês, o jogador mais determinante do ataque "colchonero" na última meia década, explicou ao diretor-executivo Miguel Ángel Gil Marín, ao treinador argentino Diego Pablo Simeone e ao diretor desportivo, o italiano Andrea Berta, que tinha decidido pagar a sua cláusula de rescisão para sair do clube, que será de 125 milhões em julho.

Depois comunicou-o aos adeptos, com um vídeo no qual lhes disse que embora lhe custe "ir por esse caminho", é o que "sente" e "precisa". "Foram cinco anos incríveis, onde desfrutei muito, deixei tudo no campo", afirmou num vídeo difundido pelo Atlético no qual Griezmann aparece sozinho frente a uma câmara.

O 'Principezinho' francês, que chegou ao Atlético em julho de 2014 vindo da Real Sociedad, fecha assim uma etapa de cinco temporadas na qual conseguiu três títulos (Supertaça de Espanha 2014, Liga Europa 2018 e Supertaça da Europa 2018).

Com 133 golos em 256 jogos, Griezmann vai deixar o Atlético como o melhor marcador da história do clube, à frente de Fernando Torres (129) e só superado por Luis Aragonés (170), Adrián Escudero, Francisco Campos e José Eulogio Gárate.

Meia década de crescimento exponencial de um jogador que, embora tenha precisado de vários meses para se adaptar ao esquema de Diego Simeone, foi moldado pelo técnico argentino para passar de um extremo esquerdo habituado a correr paralelo à ala a um atacante capaz de marcar de múltiplas maneiras e gerar jogo à sua volta.

Na sua primeira época, com período de adaptação incluído, marcou 25 golos em todas as competições, números que aumentou a 32 na sua segunda temporada, a de 2015-16, na qual disputou a final da Liga dos Campeões, perdida contra o Real Madrid nos penáltis. Nesse ano também perdeu com França a final do Europeu, contra Portugal.

Na época seguinte baixou os seus registos, já que marcou 26 golos, e na temporada que se seguiu conseguiu o seu primeiro grande título com o Atlético, vencendo a Liga Europa.

No final de Lyon contra o Olympique de Marselha, Griezmann conseguiu o troféu para os "rojiblancos" com dois dos golos do 0-3 com o qual o Atlético foi campeão, para um registo final de 29 golos com o seu clube.

Uma vez decidida a sua continuidade no Atlético nesse verão, o avançado francês conseguiu vencer com o seu país o Mundial da Rússia.

Griezmann arrancou esta temporada ganhando um novo título, a Supertaça da Europa conquistada contra o Real Madrid em Tallinn (Estónia), na qual acabou por ser a sua pior época quanto a finalização, com 21 golos entre todas as competições, mas quase todos fundamentais para somar pontos e vitórias.

Com o final da Liga dos Campeões do Wanda Metropolitano como grande objetivo, a Juventus rompeu as aspirações do Atlético numa eliminatória na qual os "colchoneros" conseguiram um 2-0 de vantagem em Madrid mas viram-se superados por um 3-0 em Turim, com hat-trick do português Cristiano Ronaldo.

Um golpe definitivo a uma temporada na qual o Atlético tinha sido eliminado nos oitavos de final da Taça de Espanha pelo Girona e sem opções de alcançar o Barcelona várias jornadas antes do final do campeonato, período no qual várias peças da equipa começaram a sair.

No final de março, o Atlético anunciou o acordo com o Bayern de Munique para a transferência do defensa francês Lucas Hernández, e há uma semana o defensa uruguaio Diego Godín confirmou a sua saída, recebendo uma homenagem no Wanda Metropolitano no último jogo caseiro da temporada, contra o Sevilha.

O anúncio da saída do uruguaio, capitão, o estrangeiro com mais jogos do clube e o segundo com mais títulos da sua história, mostrou um Griezmann comovido, como íntimo amigo do defensor 'charrua', que é o padrinho da sua filha.

A essas duas despedidas juntou-se esta terça-feira o lateral Juanfran Torres, que declinou uma proposta do clube para renovar por um ano, e Griezmann, desta vez sem produção televisiva envolvida.

A saída do atacante francês, que sem o seu amigo Godín passaria a ser segundo capitão, segundo disse o próprio Simeone, que defendeu até ao último momento a sua continuidade, deixa o projeto da equipa fragilizado, obrigando o Atlético a recompôr não só a sua defesa -onde também poderá perder o brasileiro Filipe Luis-, mas também o núcleo do seu ataque.

Uma reconstrução na qual tem especial importância o futuro de Diego Costa e o de Álvaro Morata, este último emprestado por temporada e meia pelo Chelsea, que o poderá recuperar, mas sobre o qual o Atlético tem uma opção de compra não obrigatória.

"Há sempre mudanças. E é preciso estar preparado para as resolver. Por isso ficamos", disse Simeone após o último jogo contra o Sevilha. Não vai ser simples encontrar um jogador tão relevante para o ataque como Griezmann. Mas o Atlético já o fez com Fernando Torres, Sergio Agüero, Diego Forlán, Radamel Falcao...

Miguel Ángel Moreno