EFELisboa

O magnata israelita Idan Ofer, dono de 32% do conjunto de acionistas do Atlético de Madrid, acaba de aumentar a sua participação até 85% na SAD do FC Famalicão, clube que lidera a Liga de Portugal com jovens talentos, alguns emprestados pelo Valência ou o clube "colchonero", entre outras equipas.

A história começou em junho de 2018, quando o clube se tornou em sociedade anónima esportiva e com a entrada em jogo do milionário Idan Ofer (com o grupo Quantum Pacific), que há uns anos chegou a pagar 600.000 euros pela réplica de uma Bola de Ouro de Ronaldo, que obteve mais de metade do conjunto de acionistas do clube luso.

Miguel Ribeiro, que na última semana passou à presidência da SAD, após iniciar o projeto em junho de 2018 como diretor-executivo (CEO), explicou numa entrevista com a EFE que com esta conversão "o clube estruturou-se e profissionalizou-se", motivo pelo qual "após 25 anos, conseguiram subir à 1ª Divisão de Portugal".

O arranque de temporada foi contundente, tornando o Famalicão numa das revelações do futebol europeu, com muitos jovens sub-21 de equipas como o Atlético de Madrid, Valência, Wolverhampton ou Benfica e que, após as 5 primeiras jornadas, lidera a Liga portuguesa.

Entre os protagonistas estão o avançado de 22 anos que se formou nos juvenis do Valência Toni Martínez, o central argentino de 19 anos Nehuén Pérez, emprestado pelo Atlético de Madrid, o sérvio de 21 anos emprestado pelo Valência Uros Racic ou brasileiro de 19 anos Gustavo Assunção, ex-Atlético.

"Conseguimos unificar talento e juventude", explicou Ribeiro, valores que se tornaram numa "certeza de presente e de futuro" para o Famalicão.

Para esta temporada tinham claro que, além do talento, precisavam de jogadores jovens experientes no panorama internacional, tais como o argentino Nehuén Pérez ou o sérvio Uros Racic, capitães com as seleções jovens dos seus respetivos países.

Este tipo de jogadores "dão um nível muito alto à equipa e ajudam-nos a crescer, que é o nosso objetivo", disse o presidente.

Classifica como "normal" que com o plantel que têm esta época haja muitos meios de comunicação e clubes das principais ligas europeias pendentes da evolução de um Famalicão que, além disso, mostra um bom futebol.

De forma complementar, estão a criar a sua marca e têm como objetivo "internacionaliza-la", já que "o jogador de futebol não é só o que o representa, é também um ativo da sociedade".

"Por isso, hoje, o Famalicão tem muitos ativos", que, segundo vaticinou, num futuro não muito distante acabarão em alguma das grandes ligas da Europa.

O objetivo deste clube português é conseguir uma "estabilidade" para alcançar outros desafios "coletivos e individuais, já que os jogadores poderão ser mais cotados e o seu valor em Portugal e no resto do mundo irá aumentando".

Relativamente aos valores em alta, o português Pedro Gonçalves, que esteve nos juvenis do Valência (2015-2017) e que o Famalicão comprou este ano ao Wolverhampton; ou a aquisição do também português Lameiras, vindo do futebol inglês.

Também integram o plantel o jovem lateral esquerdo Alex Centelles, emprestado pelo Valência, e o extremo uruguaio de 20 anos Nicolás Schiappacasse, cedido pelo Atlético de Madrid.

Por enquanto, o seu início na liga traduz-se em 13 pontos (4 vitórias e um empate) que os levam à primeira posição, à frente de Porto e Benfica.

Carlos García