EFELisboa

O extremo venezuelano Jhon Murillo é notícia esta semana em Portugal pois aos 25 anos tornou-se no jogador com mais encontros disputados pelo Tondela na Primeira Liga, com 151. Sonha jogar em Espanha e o primeiro que fez ao chegar à Europa foi comprar uma casa à sua mãe.

Numa entrevista com a Agência Efe, Murillo relembra as dificuldades que passou quando era jogador do Zamora, clube da Venezuela, antes de dar o salto à Europa com a transferência para o Benfica, e não se esquece do sacrifício da sua mãe para poupar dinheiro e comprar-lhe umas chuteiras.

Adepto do Barcelona desde criança, sonha jogar um dia na Liga espanhola.

O extremo, 33 vezes internacional com o seu país, destaca, entre todos os colegas de balneário que teve, o agora jogador do Levante Pepelu pela sua humildade.

Sente-se muito confortável no Tondela, com quem termina contrato este ano, e faz parte do elenco de futebolistas de um clube modesto presidido pelo espanhol David Belenguer ao qual vê a lutar em breve pelos lugares de acesso às competições europeias.

- Pergunta: Tornaste-te num veterano do Tondela e num dos mais experientes da Liga portuguesa com apenas 25 anos.

- Resposta: Quando se olha para os números de jogos, uma pessoa nem imagina. Nos dois primeiros anos estive por empréstimo do Benfica. E já fiz 151 jogos na Primeira, algo que nunca imaginei, é um orgulho. A verdade é que são seis épocas, estou muito contente, muito feliz. E durante todos esses anos o Tondela continuou na Primeira.

- P: Como tem sido a evolução em Portugal ao longo destes anos?

- R: Cresci muitíssimo desde que cheguei a Portugal, fiz funções que não fazia na Venezuela. Melhorei em muitas coisas. Antes ia muito para a ala, vertical, vertical. Taticamente melhorei muito. Sobretudo no jogo interior, que cada vez me pediam mais. Agora melhorei muito o jogo anterior e marco golos por dentro.

- P: Dois treinadores espanhóis seguidos no Tondela, Natxo González e Pako Ayestarán.

- R: O Natxo González foi um técnico que nos inculcava jogo interior, saída de bola. As coisas com o Pako têm corrido bastante bem, viu onde eu posso contribuir mais e fez-me crescer bastante. Aprendi muitíssimo. Falamos muitíssimas vezes, disse-me que sou um jogador muito importante para o clube. Estou muito confortável. Este começo da Liga está a ser muito bom para mim.

- P: Qual foi o colega que mais te chamou à atenção nestes anos, pelo seu jogo, pela sua forma de ser?

- R: Houve excelentes grupos. O Pepelu (hoje no Levante), estive com ele e é um rapaz muito centrado, humilde, muito carinhoso com todos os colegas. Lutou para jogar na Primeira de Espanha e agora isso está a dar os seus frutos.

- P: Até onde é que o Tondela pode chegar?

- R: A cada época tem melhorado muito como clube, tal como o nível dos jogadores que chegam. Muito em breve vai estar a lutar pelas competições europeias. Cada dia há jogadores com mais qualidade.

- P: Quais são as metas do Jhon Murillo?

- R: Primeiro, terminar bem esta época, é o meu último ano de contrato. O Tondela é um clube que luta por não descer. Quero ir para um clube na luta pelas posições europeias. Mas agora estou centrado no Tondela.

- P: Houve propostas de outros clubes?

- R: Tive um par de ofertas na pré-época, de um clube que luta pelas posições europeias. Mas o país e as condições não me satisfaziam. Há três semanas também tive outra que não era do meu agrado. O importante é o dia a dia. A minha primeira opção é ficar na Europa.

- P: Qual é o teu sonho, em que liga gostarias de jogar?

- R: Quero jogar em Espanha, onde quero ir é sem dúvida para Espanha.

- P: Qual é a tua equipa favorita de Espanha?

- R: Sou do Barcelona.

- P: Não te esqueces das tuas raízes humildes.

- R: Jogava no Zamora (Venezuela). Havia dificuldades, vivia nas instalações do clube, não foi fácil. Venho da aldeia, sou um lutador. Não nos sobrava dinheiro, às vezes faltava um pouquito. Vivi sempre com a minha mãe e o meu irmão. A minha mãe tinha que me deixar dinheiro em Zamora para comprar as chuteiras. Fazia muito esforço, poupava do restaurante que tinha. Estou-lhe muito agradecido pelo esforço que fez.

- P: A tua mãe virá algum dia para Portugal?

- R: Não gosta de Portugal pelo frio. O primeiro que fiz com a venda do Zamora ao Benfica foi comprar uma casa à minha mãe, porque ela não queria sair de El Nula (Venezuela). Estou com a mesma namorada da altura, a mãe dos nossos dois filhos. Não se deve parar de lutar, passei por muitas dificuldades.

- P: 33 vezes internacional com a Venezuela.

- R: Há uma camada muito boa de jogadores, mas não estamos num momento muito bom. O Mundial está difícil, mas há uma geração muito boa e é preciso terminar a qualificação da melhor maneira.

Por Carlos García