EFELisboa

A Fase Final da Liga dos Campeões de Lisboa vai ser um duplo incentivo para o português do Atlético de Madrid João Félix, já que o clube espanhol vai treinar no Seixal, centro de formação do Benfica, onde o futebolista português se formou como jogador.

Em entrevista à Agência EFE, o português Pedro Marques, director do futebol de formação do Benfica, lembra que o percurso de João Félix vem de muitas pessoas que trabalharam com ele no Seixal (sul de Lisboa), sem esquecer o seu talento.

Pedro Marques, que até 2018 trabalhou no futebol de formação do Manchester City com Mancini, Guardiola ou Pellegrini, quase não coincidiu com João Félix nas categorias inferiores, já que rapidamente chegou à primeira equipa, embora insista que “tem um talento natural incrível e o Benfica ajudou aquele talento a florescer. "

Outro dos atrativos da chegada dos "rojiblancos" ao Seixal será o possível encontro de João Félix com o seu irmão Hugo, de 16 anos, outra das pérolas da academia do Benfica.

“É um jovem jogador que ainda tem muito para crescer. Os dois são talentosos. O Hugo está a fazer um trabalho com tranquilidade e continuamos a acompanhá-lo para continuar a crescer e a explorar o seu talento”, explica Marques.

Relativamente à sua posição, garante que é um futebolista com muita mobilidade: "Do centro de campo, mas também dos laterais, com talento e uma boa relação com a bola".

Na última década, a política do Benfica permitiu ao Seixal ser uma das mais importantes fábricas de jovens talentos a nível internacional.

Partiram deste centro jogadores como Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Nelson Semedo ou Bernardo Silva.

E actualmente estão na primeira equipa dos encarnados jovens futebolistas muito pretendidos, como Florentino, Tomás Tavares, Ruben Dias, Ferro ou Jota, entre muitos outros.

Pedro Marques garante que uma das chaves é o plano individual que se cria para cada jogador, mas também um poderoso investimento para a observação de jovens talentos.

“Como qualquer escola, temos uma metodologia e é muito importante conhecer a pessoa, a sua dinámica social ou a sua família”, afirma.

De facto, de norte a sul de Portugal o Benfica tem vários centros de formação para que os jovens não tenham que se separar da família e possam permanecer lá até aos 13 anos.

À semelhança dos centros de formação do resto do mundo, o Seixal também parou por causa da covid-19, pelo que o Benfica decidiu que os seus jovens jogadores, para além de receber apoio desportivo, ficassem focados nos estudos escolares.

Até hoje, a escola do Seixal concentrou-se na preparação da UEFA Youth League, que se irá realizar dentro de algumas semanas em Lyon, para a qual, após receber autorização sanitária, definiu dois grupos de trabalho com os jovens futebolistas.

A base está cada vez mais a ser trabalhada em Portugal, desde onde estão a treinar grandes jogadores, facto que se reflecte, sobretudo, nos bons resultados das equipas inferiores de Portugal, conclui Pedro Marques.

O regresso de João Félix ao local onde cresceu como futebolista já está marcado, no dia 11 de agosto, o primeiro treino do Atlético de Madrid no Seixal.

Carlos García