EFELisboa

Acumula uma fortuna, tem oito Óscares de efeitos especiais, criou o holograma de Michael Jackson, é um fanático por futebol e em agosto comprou 18% do Crystal Palace. É John Textor, que esta semana retomou as negociações para comprar 25% do Benfica, operação que representa um valor de 31 milhões de euros.

A primeira abordagem de Textor com o Benfica chegou através do empresário José António dos Santos, conhecido em Portugal como "O Rei dos Frangos", a quem pretendia comprar um total de 5.750.000 de ações, ou seja, 25% da sociedade.

Contudo, em julho passado, tanto Santos como o então presidente do clube, Luís Filipe Vieira, já tinham sido detidos e acusados de vários delitos de corrupção com, alegadamente, sérios prejuízos tanto ao Estado português como ao Benfica, entre outras entidades.

A operação não foi em frente, uma vez que Rui Costa, na altura vice-presidente de Vieira, que depois assumiu o cargo de presidente interino após a sua demissão, decidiu paralisá-la até à definição do novo conselho de administração.

E foi quinta-feira quando se realizou a tão esperada reunião a pedido do investidor e filantropo americano, o que poderá significar o desembarque de John Textor no futebol português e um importante ponto de partida para catapultar a marca Benfica.

De momento, já houve um primeiro encontro, e no próximo passo, segundo o clube português, Textor comunicará quais são as suas intenções com o Benfica, para que a direção possa analisá-las.

FILANTROPO COM TREZE MILHÕES DE SEGUIDORES

A sua conta no Twitter tem mais de 13 milhões de seguidores, muito mais do que a grande maioria dos futebolistas das principais ligas europeias.

Um filantropo comprometido com as academias de futebol, como a do FC Florida, e que também criou um nicho para si próprio na indústria das plataformas televisivas através da "fuboTV", especializada em transmissões em direto, especialmente de eventos desportivos.

O auge mediático chegou com a sua empresa Digital Domain, sediada em Los Angeles, que criou os efeitos especiais para "Titanic", "The Curious Case of Benjamin Button" (4 Óscares) e outros como "Armageddon", "Fight Club" ou "Deadpool".

A revista Forbes definiu-o como "o guru da realidade virtual de Hollywood", especialmente pela surpresa causada pelo holograma que criou do rapper Tupac Shakur, assassinado em Los Angeles em 1996, a quem "deu vida" em 2012 para aparecer virtualmente no festival de música de Coachella.

Posteriormente, em 2014, a sua empresa desenvolveu o holograma de Michael Jackson nos prémios 'Billboard'.

CHEGADA À PREMIER LEAGUE

A sua primeira investida no futebol europeu aconteceu no passado mês de agosto, quando foi tornada pública a sua aquisição de ações do Crystal Palace.

Alguns meios de comunicação ingleses publicaram no último verão que Textor tentou adquirir a totalidade do clube, mas acabou por ficar apenas com 18% das ações, um pacote semelhante ao detido pelo presidente, Steve Parish.

A equipa treinada por Patrick Vieira recebeu de bom grado os 106 milhões de euros contribuídos por Textor, usando-os para saldar dívidas e se consolidar na Premier League.

A promoção do Crystal Palace nos Estados Unidos também aumentou exponencialmente, enquanto Textor não para de 'tweetar' as conquistas de qualquer equipa das diferentes categorias do clube inglês.

ADEPTO DE UM FUTEBOL PARA O POVO

No dia das eleições presidenciais do Benfica, Textor comparou as duas realidades: "Com o grande #NUFC (Newcastle) agora conquistado por um único tirano, os clubes do Reino Unido deviam estar atentos ao que está a acontecer hoje em Portugal. Milhares de #Benfiquistas vão às urnas eleger o seu líder, provando o Benfica como o verdadeiro clube do Povo. Impressionante!".

O passado dia 9 de outubro foi um dia histórico para o clube encarnado, com recorde de participação de sócios na eleição do seu novo presidente, Rui Costa, após a saída abrupta de Luís Filipe Vieira, que deixou a presidência sob a acusação de vários crimes de corrupção ainda por julgar.

O Benfica é claro, 63% das ações que são propriedade do clube não estão à venda. Por sua vez, John Textor não pretende comprar nenhum pacote de ações sem o consentimento e harmonia do Conselho de Administração.

Foi por isso que a reunião entre o investidor americano e a presidência não aconteceu até ontem, quinta-feira, 21 de março, após a conclusão do processo eleitoral.

Por Carlos García