EFEMoscovo

A Justiça da Rússia condenou esta quinta-feira a basquetebolista americana Brittney Griner a nove anos de prisão por posse e contrabando de drogas.

A juíza responsável pelo caso, Anna Sotnikova, considerou a atleta "culpada de cometer o crime" estipulado nos artigos 228 e 229.1 do código penal russo (posse e tráfico de drogas).

Sotnikova levou em conta como atenuantes tanto a admissão de culpa de Griner como os seus feitos de carreira, na qual foi bicampeã mundial (em 2014 e 2018) e olímpica (nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro, e 2020, em Tóquio).

Griner, que foi detida em fevereiro num aeroporto de Moscovo com óleo de cannabis na bagagem, afirmou que compreendeu a decisão e mostrou pouca emoção durante a audiência do caso.

Os advogados da americana, que nesta semana contestaram como prova as amostras de cannabis recolhidas pela polícia russa após a detenção, disseram que iriam recorrer contra a decisão.

O procurador do caso considerou que "a culpa de Brittney Griner foi totalmente comprovada". Já a defesa tinha pedido absolvição ou, na falta dela, a menor pena de prisão possível.

A lei russa pune o crime cometido pela poste de 31 anos e 2m06 de altura, que defende as Phoenix Mercury, da WNBA, e a equipa russa UMMC Yekaterinburg (durante o recesso da liga americana), com um máximo de dez anos de prisão.

A jogadora admitiu hoje o seu "erro", mas também pediu clemência durante a audiência realizada no tribunal da cidade de Khimki, na região de Moscovo.

"Cometi um erro sem má intenção e espero que o veredicto não acabe com a minha vida", disse.

O governo americano considera "errada" a prisão da jogadora e exige a sua libertação imediata, assim como fizeram muitos ícones da NBA e da WNBA. Por sua vez, o Kremlin negou que o processo tenha um "histórico político".

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, propôs na semana passada ao chanceler russo, Sergey Lavrov, a troca de Griner e Paul Whelan -este condenado a 16 anos por espionagem- pelo "mercador da morte" Victor But, que cumpre pena de 25 anos numa prisão americana.

Recentemente, a Casa Branca rejeitou a "contraproposta" da Rússia de incluir um segundo prisioneiro russo na troca, o checheno Vadim Krasikov, conforme relatado pela rede "CNN".