EFELisboa

Com a sua particular celebração de pistoleiro, Mario González é o avançado centro de moda em Portugal. O Villarreal emprestou-o esta época ao Tondela, onde com 12 golos é o terceiro melhor marcador do campeonato português, e vem de um "hat-trick" conseguido este sábado em apenas 8 minutos.

Numa entrevista com a Agência EFE, o avançado espanhol revela que o segredo das pistolas foi copiado do ex-futebolista Xisco Nadal, já que este era o delegado do Villarreal quando Mario González jogava na equipa B e às vezes juntava-se aos treinos e celebrava assim os golos.

Aos 25 conseguiu no Tondela um elevado grau de maturidade junto ao treinador Pako Ayestarán, e é consciente de que o Villarreal está muito atento à sua evolução.

"Sou um jogador que ama o futebol. Para mim isto não é um negócio, para mim é uma forma de vida", assegura Mario González, que tenta contagiar o resto do plantel com a sua paixão em cada treino.

- Pergunta: "Hat-trick" em 8 minutos e vitória por 2-3 ao Moreirense.

- Resposta: Estou muito contente, foi um dia incrível, saiu tudo como uma pessoa deseja. Foi um dia muito bonito e além disso ganhámos. Com vontade de continuar a lutar.

- P: És o terceiro melhor marcador em Portugal. Grande eco internacional.

- R: Um dos motivos pelos quais vim para aqui foi porque é uma Liga com muita visibilidade, que é muito seguida no futebol estrangeiro. Prova disso são as grandes contratações que houve nesta Liga nos últimos anos. Não me surpreende que haja tanta repercussão. Estou muito agradecido ao Tondela, como clube, porque fizeram uma aposta por mim. E, graças a deus, estou-lhes a dar o rendimento que eu queria.

- P: O futebol, a tua paixão.

- R: Sou um jogador que ama o futebol. Para mim isto não é um negócio, para mim é uma forma de vida, eu vivo por e para treinar cada dia, por e para jogar e para dar tudo. Isso para mim é inegociável. Nesse sentido, o Tondela está contente comigo, à parte dos golos. Vou todos os dias com a maior alegria do mundo. Também passei momentos difíceis no início da época, com lesões. Sacrifiquei bastante para estar com a equipa. Isto é amor ao futebol e não havia opção.

- P: Uma vida de sacrifício junto à tua família.

- R: Antes e depois de cada jogo a chamada é sempre ao meu pai, falo com o meu pai e a minha mãe. A sua felicidade é a minha, eles estão há muitos anos sem comigo em casa. Para eles também não tem sido fácil. Desde os 12 anos que tem sido uma situação difícil, e neste tipo de dias vês o esforço recompensado.

- P: Emery tem um olho no Tondela.

- R: Em quando estive lá com ele (na pré-época), explicou-me as coisas claramente e eu aceitei, estou agradecido de que tenha sido tão claro e sincero. Sei que o Villarreal está pendente de mim. Vai-se falar de tudo no verão. O importante é que eles acabem bem, adoraria que ganhassem a Liga Europa e ficarem nos lugares da Champions, tenho grandes amigos no Villarreal.

- P: O objetivo do Tondela, manter a categoria.

- R: Acho que chegando aos 35 pontos podemos estar mais que tranquilos. Rondando os 35, estamos com 31 e logicamente há que o assegurar o quanto antes. Esta semana temos um jogo crucial contra o Nacional (último classificado) e pode ser um bom dia para nós para deixar quase tudo pronto quanto faltam seis jogos.

- P: Olabe, amigo que voltas a encontrar.

- R: Estive com ele meio ano no Villarreal. Fiquei bastante alegre quando chegou aqui (no mercado de inverno). Tem feito as coisas bem, como ele joga, intenso, agressivo, com muita segurança.

- P: Pako Ayestarán e o regresso à posição de avançado centro.

- R: Estou muito agradecido pelo tratamento e a confiança que me deu. Toda a minha carreira, desde pequeno, fui sempre avançado. Há 3 anos, no Villarreal B, colocaram-me na ala, onde funcionava bem. Em França joguei como extremo e o Pako recuperou-me para a minha a posição, que é onde faço verdadeiros danos.

- P: A celebração das pistolas.

- R: Vem do Villarreal B, do ex-futebolista Xisco Nadal. Era delegado da equipa e se faltava algum jogador treinava ele e fazia essa celebração. Com o Pau Torres, o Quintillá… Tínhamos essa coisa de rir quando o fazia. Então, quando recuperei de uma lesão, disse que se marcasse, ia fazer as pistolas, e marquei. E desde então ficou. No outro dia estava a falar com o Pau, que está na primeira equipa (do Villarreal) com ele e brincamos de que me ia fazer pagar direitos de autor. São coisas do futebol.

Carlos García