EFELos Angeles (EUA)

Vanessa Bryant, a viúva da estrela do basquetebol Kobe Bryant, entrou com uma ação contra o xerife de Los Angeles e o seu departamento porque alguns oficiais tiraram e partilharam, sem fins profissionais, fotos do acidente de helicóptero que matou nove pessoas, entre elas o seu marido e uma das filhas do casal, Gianna, em janeiro deste ano.

A denúncia, registada na semana passada pelo tribunal de Los Angeles, na Califórnia, e divulgada esta terça-feira, alega que as imagens feitas pelos oficiais no local da tragédia excederam os limites profissionais e representam invasão de privacidade, além de terem causado um stress emocional aos familiares das vítimas.

"Nada menos do que oito oficiais presentes no local do acidente usaram aparelhos móveis pessoais para tirar fotos das crianças, pais e treinadores mortos. Os agentes tiraram essas fotos para a sua própria gratificação pessoal", diz a denúncia.

Os documentos apresentados à Justiça também criticam que as imagens tenham sido partilhadas fora do círculo da investigação, o que é considerado crime e é estritamente proibido de acordo com o regulamento interno do departamento.

A ação movida por Vanessa Bryant não é a primeira em relação ao tratamento das informações sobre o caso, que teve enormes repercussões devido à fama do ex-jogador da NBA, que tinha 41 anos.

Uma investigação conduzida pelo jornal "Los Angeles Times" revelou, dias após o acidente, que um empregado de mesa apresentou um queixa contra o mesmo departamento ao ver um dos seus funcionários, um cliente do estabelecimento onde trabalhava, a partilhar fotos do acidente de Kobe numa conversa privada.

O xerife de Los Angeles, Alex Villanueva, por sua vez, admitiu que as imagens existem, mas afirmou que ordenou que fossem imediatamente apagadas.

No entanto, Vanessa Bryant denunciou que uma investigação relevante sobre o caso nunca foi aberta e que o próprio Villanueva disse que nenhuma medida disciplinar seria tomada se as fotos fossem devidamente apagadas.

"Villanueva não tomou nenhuma das medidas que um supervisor razoável (muito menos um investigador profissional altamente qualificado) deveria tomar para evitar a divulgação de fotos prejudiciais. Não podemos descartar a possibilidade de que as fotos venham a aparecer na internet", menciona o texto apresentado à Justiça de Los Angeles.

Em declarações à imprensa, a presidente da Comissão de Supervisão do Xerife, Patti Giggans, descreveu esse comportamento por parte dos oficiais "não profissional e lamentável".

Enquanto isso, a investigação para apurar as causas exatas do acidente que matou o ídolo dos Los Angeles Lakers continua aberta. Os indícios apontam que o piloto do helicóptero estava desorientado e que ocorreram erros de comunicação com a torre de controlo para determinar a posição da aeronave.