EFENursultan

Os filmes de "Borat", do britânico Sacha Baron Cohen sobre um jornalista do Cazaquistão que passa uma imagem negativa da antiga república soviética, são pouco realistas e oferecem uma imagem distorcida do país, indicaram à Agência Efe conhecedores desta nação tanto locais como estrangeiros.

A sátira, que tem como personagem principal Borat Sagdiyev, procura fazer um contraponto, politicamente incorreto, dos extremos culturais do planeta, opondo o Cazaquistão, retratado como nação de traduções antiquadas, com os Estados Unidos.

O sexismo, a misoginia, o racismo e o antissemitismo são temas recorrentes nos filmes, que geraram mal-estar em grande parte da sociedade cazaque, que considera as obras injustas.

Aliya Aizakhmetiva, uma jovem empreendedora, disse à Efe que a sequela "Borat Subsequent Moviefilm", lançada este ano, não faz jus à realidade.

"A situação é completamente diferente. O nosso país é muito bonito, tem muitas oportunidades de trabalho, negócios, educação e de serviços médicos", garante a entrevistada.

VISÃO ESTRANGEIRA

De uma perspectiva mais neutra, o espanhol Pedro Mantilla, a fazer um mestrado em Nursultan (antiga Astana), afirma que o filme é "uma sátira, em que exageram os problemas que existem e nem sequer é certeiro, porque não se parece com o Cazaquistão em muitas coisas".

Já para Arturo Rojas, um professor mexicano, o país é diverso, devido à convivência de mais de 100 grupos étnicos no território.

"Realmente, não acho que haja um grande problema com o racismo neste país, porque existem muitas culturas, o que significa que elas podem aprender a conviver umas com as outras sem levar a conflitos internos", avalia.

O também espanhol Diego Amado concordou que não há uma representação precisa do país no novo filme de Sacha Baron Cohen, lançado na plataforma de streaming Amazon Prime.

"Nos cinco anos em que estou aqui, posso dizer que o Cazaquistão não está representado. Estou certo que aqui não há qualquer tipo de racismo, antissemitismo, misoginia intrínseca à sociedade. É verdade que há diferenças culturais, mas as mulheres não estão trancadas em jaulas, e nem todas precisam de cobrir os rostos", disse.

MULHERES EMPODERADAS

A professora Inna Hakobyan e a arquiteta Zhemis Kapakova afirmaram que o Cazaquistão é um país ondem convivem pessoas "de mentalidade aberta" e que há espaço para que se exerça as individualidades.

A jornalista e blogger cazaque Shiara Rahim, por sua vez, lembrou que não há qualquer obrigação, como em países muçulmanos, impostas às mulheres sobre o uso de burcas ou 'hijab', e que nenhuma delas deve cobrir o rosto.

"Somos livres e bem-sucedidas. Ao meu redor tenho muitas amigas, mulheres maravilhosas e talentosas, que chegaram longe nos negócios, política, em todos os setores", explicou.

Embora seja considerado um país em que há oportunidades para mulheres, a embaixadora de Israel no Cazaquistão, Liat Wexelman, reconheceu que, como em grande parte do planeta, faltam mais oportunidades de trabalho.

"Penso que ainda há espaço para melhorar a igualdade de género porque, como podemos ver na tomada de decisões, na economia e na política, não há mulheres suficientes", disse.

MENSAGEM CONTRA O ÓDIO

Sobre o antissemitismo tratado no filme, Wexelman aponta para a participação de representantes do Cazaquistão em vários congressos sobre a tolerância e o respeito entre diferentes etnias, religiões e ideologias.

"Acho que é muito importante e muito simbólico que tenhamos esta mensagem de união, contra o ódio", garantiu a diplomata israelita, que se disse segura e bem acolhida na nação centro asiática.