EFELisboa

Aceleradores para start-ups verdes, luzes que purificam o ar e iniciativas para filtrar água são apenas alguns dos projetos que passaram por esta edição da Web Summit, onde a sustentabilidade e o ambiente ganham peso.

Cada vez com mais frequência, a tecnologia está associada a conceitos como a sustentabilidade ou o ambiente, pelo que não é estranho que o congresso, que encerra hoje em Lisboa, tenha decidido dedicar um palco só para como avançar rumo a um planeta melhor.

O tema do ambiente chegou ao palco principal da Altice Arena, com uma capacidade para 20.000 pessoas, que na abertura do congresso acolheu um painel dedicado à indústria da água.

A estrela foi o ator Jaden Smith -filho de Will Smith-, que contou como um dia de surf o fez comprometer com a defesa da natureza e os recursos hídricos.

"A água foi sempre importante para mim desde jovem. Aos 11 anos, lancei a Just Water. Foi assim que comecei a preocupar-me mais por este recurso", contou o jovem de 21 anos, que se referiu assim à sua empresa de produção de garrafas com materiais reciclados.

Smith é também co-fundador da 501CThree, um projeto que tem como objetivo filtrar água para a tornar potável em zonas que sofrem crises hídricas e escassez deste recurso.

O congresso também recebeu gigantes como a Google, que anunciou um acelerador para start-ups da Europa, Médio Oriente e África comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

A ideia é oferecer "uma comunidade e acesso a recursos e ferramentas para start-ups que têm impacto social", explicou a diretora de sustentabilidade da Google, Kate Brandt, que percorreu as iniciativas da companhia em matéria ambiental.

O acelerador vai impulsionar empresas emergentes centradas na luta pelo ambiente, a igualdade, a erradicação da pobreza ou a justiça, através de mentores da Google e experientes externos.

Outro gigante, neste caso do setor elétrico, subiu ao palco para avançar novidades: o presidente da Energias de Portugal (EDP), António Mexia, anunciou que em 2040 toda a energia que produzam vai proceder de fontes renováveis e sem necessidade de combustíveis fósseis.

"Em 2030 queremos ter pelo menos 90% de renováveis, o resto será gás", acrescentou Mexia, que considera "urgente" o processo de transição energética mundial.

Jonathan Aknin, fundador da Tohar, uma empresa que produz luzes que purificam o ar das cidades, apresentou os seus protótipos aos mais curiosos.

A luzes de Aknin, alimentadas com energia solar, têm um ventilador com três filtros dentro da estrutura para ajudar a purificar o ar.

O evento lisboeta foi o local eleito para lançar o repto "Al Moonshot Challenge", uma iniciativa que vai premiar com 500.000 euros o melhor projeto sobre sistemas de monitorização dos resíduos dos oceanos através de satélites e inteligência artificial.

A iniciativa, auspiciada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) de Portugal, a Agência Espacial Portuguesa e o laboratório português de inteligência artificial Unbabel Labs, vai escolher um grupo de cientistas que desenvolverá investigações adicionais durante dois anos no oceano luso.

A Web Summit termina hoje em Lisboa depois de quatro dias, nos quais passaram mais de 70.000 visitantes de 160 países, com 2.100 empresas emergentes, 1.400 investidores, 1.200 'speakers' e 2.600 jornalistas.

O congresso tecnológico, que nasceu em 2010 em Dublin e em 2016 se mudou para Lisboa, vai-se manter na capital lusa até, pelo menos, 2028, após um acordo assinado no ano passado com o Governo português.

Paula Fernández